Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1037
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MONITOR DA IMPRENSA >

TVs enfrentam questões éticas na cobertura do massacre

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 24/04/2007 na edição 430

A rede de TV americana NBC teve que tomar uma difícil decisão ao receber o pacote com os vídeos, fotos e textos do estudante Cho Seung-Hui, identificado como o atirador que matou 32 pessoas na universidade Virginia Tech na semana passada. Casos brutais que chocam a sociedade sempre acabam por levantar questões éticas quanto à cobertura jornalística. No evento dramático da cidade de Blacksburg, jornalistas e executivos de mídia se viram tendo que decidir rapidamente a melhor solução para o material enviado pelo assassino – com depoimentos raivosos e imagens agressivas.

‘Esta é a clássica questão ética onde pode haver diversas respostas certas e diversas respostas erradas’, diz Bob Steele, professor de ética jornalística do Poynter Institute, na Flórida. A NBC foi a primeira a sofrer com a dúvida, mas a partir do momento em que liberou o material, distribuiu a responsabilidade entre todas as outras organizações de mídia dos EUA.

Repulsa

A reação inicial foi a de que o conteúdo do pacote era algo repulsivo. Onze fotos mostravam o jovem Seung-Hui apontando uma arma para a lente. Houve quem classificasse o material de ‘um segundo ataque’, ou de um convite aos imitadores, ou até de uma realização do desejo doentio do estudante por atenção.

Fato é que as imagens desagradaram os familiares das vítimas. Peter Read, cuja filha foi morta no ataque na universidade, fez um apelo aos veículos de comunicação americanos. ‘Pelo amor de Deus e de nossas crianças, parem de exibir estas imagens e estas palavras. Escolham se concentrar na vida e no amor e na luz que nossas crianças trouxeram ao mundo, e não na escuridão e na loucura e na morte’, afirmou.

Análise jornalística

No fim, entretanto, os jornalistas afirmam que não cabia a eles julgar o caráter das imagens e depoimentos de Seung-Hui – era preciso apenas determinar se o material era válido jornalisticamente. Analisando de maneira fria, tratava-se de uma mensagem de um homem que havia acabado de cometer o maior massacre em uma instituição de ensino na História moderna dos EUA. Detalhes sobre seu passado e seu comportamento incomum estavam começando a aparecer, e o material podia ser visto como uma confirmação disso.

A NBC e outras emissoras que divulgaram as imagens afirmaram ter visto as informações contidas nos depoimentos de Seung-Hui como um modo de ajudar o público a entender algumas das razões por trás do ataque. No mínimo, as imagens e palavras poderiam dar às autoridades amostras de um padrão de comportamento que deve ser observado nos jovens. ‘Havia um objetivo jornalístico [em liberar as imagens] e eu acredito que a NBC levou o desafio ético a sério e tomou uma decisão acertada’, conclui Steele. Informações de David Bauder [AP, 20/4/07].

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