Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1006
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MONITOR DA IMPRENSA > DRUDGE REPORT

Um furo e nenhum arrependimento

11/03/2008 na edição 476

O jornalista americano Matt Drudge não é do tipo que fica se desculpando pelos cantos. Até a semana passada, ele não havia dado sinais de arrependimento por ter revelado o paradeiro do príncipe Harry no Afeganistão – botando por água abaixo os cuidadosos planos do Ministério da Defesa do Reino Unido para manter a informação em sigilo. No sítio Drudge Report, o jornalista conta com orgulho a controvérsia que provocou ao divulgar a informação – mantida em segredo há dois meses – de que Harry estava servindo ao Exército no Afeganistão.

Em nome da segurança do príncipe, a mídia britânica tinha feito um acordo com o Ministério para não divulgar a notícia até que ele voltasse ao Reino Unido, são e salvo. Graças a Drudge, o plano falhou, e Harry foi retirado imediatamente do país. ‘O príncipe Harry está lutando no Afeganistão desde dezembro do ano passado – e está diretamente envolvido na batalha’, escreveu ele. ‘A CNN vem discutindo internamente se deve reportar as atividades de Harry na guerra’, continuou, em uma sugestão de que sua fonte seria alguém da rede de notícias americana. ‘O Ministério da Defesa e a Clarence House, residência real, recusam-se a comentar. O Exército está tentando manter o príncipe fora da mídia e pediu aos soldados para ficarem quietos’.

Depois de vazar a informação, Drudge simplesmente deixou a mídia tradicional repercutir o caso. Para que não virasse alvo de insurgentes ou colocasse em risco as tropas, o Ministério da Defesa decidiu trazer o príncipe de volta a Londres antes do tempo previsto. Internautas furiosos modificaram o verbete ‘Drudge Report’ na enciclopédia online Wikipedia e passaram a descrever o blog como ‘um sítio de ‘notícias’ irresponsável que colocou a vida de muitos soldados em risco ao publicar informações sobre o paradeiro do príncipe Harry no Afeganistão’.

Polêmico

O Drudge Report tornou-se conhecido em janeiro de 1998, quando trouxe à tona o affair do então presidente dos EUA, Bill Clinton, com a estagiária Monica Lewinsky. Desde então, tornou-se um dos sítios de notícias mais influentes e visitados do mundo.

A informação sobre o paradeiro do príncipe Harry já havia sido divulgada pelo sítio da revista de fofocas australiana New Idea, em janeiro. Na ocasião, entretanto, não ganhou repercussão. Ainda assim, o sítio – que recebeu críticas de internautas – desculpou-se pelo vazamento. ‘Não sabíamos que havia sido emitido um embargo à mídia e desde a publicação da notícia não fomos contatados pelo Ministério da Defesa britânico. Levamos isto muito a sério e nunca quebraríamos um embargo. Pedimos desculpas’, escreveu a revista. Informações de Duncan Gardham [Telegraph, 1/3/08].

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