Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 27 E 28/3

Veja

30/03/2010 na edição 583

VENEZUELA
Duda Teixeira

Os prisioneiros de Chávez

‘Se ainda havia dúvidas de que o regime venezuelano já atingiu o estágio ditatorial, elas desapareceram na semana passada, quando o presidente Hugo Chávez mandou prender três opositores ao seu projeto autoritário. Na segunda-feira, Oswaldo Álvarez Paz, ex-governador do estado de Zulia, foi detido em Caracas. Ele havia comentado em um programa de televisão sobre as relações entre o presidente e os narcoguerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e os terroristas bascos do ETA. Na quinta-feira, foi a vez do deputado federal Wilmer Azuaje e do dono do canal de televisão Globovisión, Guillermo Zuloaga. Azuaje acusa a família do presidente de corrupção no estado de Barinas. Zuloaga, por sua vez, preside o único canal de TV que não se submeteu à mordaça chavista – todos os demais foram comprados, expropriados ou cooptados pelo regime. Em uma reunião da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), realizada em Aruba, Zuloaga declarou: ‘Não se pode falar em liberdade de expressão em um país quando o governo usa a força para fechar os meios de comunicação’. Chávez sen-tiu-se ‘ofendido e vilipendiado’. Zuloaga foi detido quando embarcava para passar a Páscoa em uma ilha caribenha. Foi interrogado e solto algumas horas depois, mas permanece proibido de deixar o país.

A Venezuela tem quarenta presos de consciência. Entre eles estão jornalistas, políticos, militares e uma juíza, María Lourdes Afiuni, que determinou a libertação de um empresário detido, sem julgamento, por quase três anos. A repressão cresce à medida que a economia venezuelana afunda e as eleições legislativas se aproximam. Neste ano, a inflação deve chegar a 40%. O país vive apagões constantes e, para economizar eletricidade, Chávez decretou três dias de feriado. Nas eleições deste ano, o presidente corre o risco de perder a maioria na Assembleia Nacional – isso se ele não empastelar completamente as eleições, como tentou fazer das últimas vezes. Enquanto o pleito não chega, o caudilho impõe medo à população e censura o seu acesso a informações independentes. Com as prisões da semana passada, Chávez deixou claro do que é capaz.’

 

CHINA
Larissa Tsuboi

Derrota da liberdade

‘Quando abriu um escritório em Pequim, há quatro anos, o Google se curvou aos ditames do capitalismo vermelho e aceitou se autocensurar. Temas banidos pelo Partido Comunista Chinês, o PCC, não poderiam aparecer quando alguém fizesse uma busca no site www.google.cn. O índex inclui, por exemplo, o massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989, e a campanha pela independência do Tibete. Aquiescer à ditadura foi o pedágio pago pela empresa americana para ingressar no maior mercado mundial da internet, com 400 milhões de pessoas conectadas. Na semana passada, o Google anunciou que fechará as portas em Pequim, num reconhecimento de que não conseguiu dobrar o regime chinês, como imaginara. É a primeira grande empresa estrangeira a tomar tal iniciativa. A decisão ocorre dois meses depois de hackers – supostamente a trabalho do governo comunista – terem invadido contas do Gmail, o e-mail do Google, pertencentes a ativistas pró-democracia. Agora, quem tenta entrar na versão chinesa do site é redirecionado para o Google de Hong Kong, ex-colônia britânica que, mesmo depois de ter sido devolvida à China, em 1997, ainda preserva valores como a liberdade de expressão.

Em meio à tormenta da crise mundial, a China tornou-se a boia de salvação para diversas empresas internacionais, que preferem jogar pelas regras comunistas a abrir mão do mercado que mais cresce no planeta. Mas agruras de uma companhia estrangeira ao lidar com o PCC não são novidade. Na semana passada, quatro executivos da mineradora anglo-australiana Rio Tinto foram submetidos a um julgamento pouco transparente sob a acusação de aceitar propina e de roubar segredos comerciais. Recentemente, a Apple teve de trocar seu sistema padrão do iPhone para internet sem fio, o wi-fi, pelo equivalente Wapi, compatível com a segurança nacional. Além disso, sites como YouTube, Facebook e Twitter são totalmente bloqueados. A autocensura do Google pode ter caído, mas a censura vermelha segue implacável.’

 

TECNOLOGIA
A edição é o livro

‘Chega às lojas dos Estados Unidos no próximo dia 3 de abril o iPad, o aguardado tablet da Apple, a combinação de notebook com leitor digital (e-reader). Esse aparelho, assim como outros do gênero, tenta ser uma opção à relação secular mantida pelo homem com os livros impressos desde a invenção da prensa de tipos móveis pelo alemão Johannes Gutenberg, no século XV. Com a proliferação dos livros eletrônicos, o processo de impressão física está em via de extinção? Para discutir o impacto das novas tecnologias no setor, a Câmara Brasileira do Livro, em parceria com a Imprensa Oficial, convidou especialistas no assunto para participar do 1º Congresso Internacional do Livro Digital, que ocorrerá em São Paulo de 29 a 31 de março. Um dos palestrantes é Juergen Boos, diretor da Feira de Frankfurt, o maior e o mais importante evento do mercado mundial de livros. Na semana passada, dias antes de sua visita ao Brasil, Boos falou ao repórter Luís Guilherme Barrucho.

O IMPACTO DOS E-READERS

O mercado de livros já passou por uma série de mudanças na história. O tempo em que elas ocorrem, entretanto, tem sido cada vez menor. Essas transformações sempre impuseram novos desafios ao setor, mas recentemente se tornaram mais visíveis, porque nos obrigam a encontrar maneiras de oferecer ao leitor os mais diversos conteúdos. Com os dispositivos eletrônicos móveis e compactos, temos a oportunidade de atrair um novo tipo de leitor. Existe uma complementaridade entre entretenimento e educação. A proposta dos livros digitais é, dessa maneira, diferente da dos livros físicos, que devem continuar a existir. Acredito que, daqui para a frente, haverá maior quantidade de conteúdo sendo utilizada em meios diferentes, tanto físicos quanto eletrônicos. Teremos outras plataformas para a leitura que não se restrinjam à forma impressa.

AS NOVAS LIVRARIAS

Há duas maneiras de garantir a sobrevivência das livrarias. A primeira é que elas não se limitem ao comércio de livros. É preciso transformar o espaço de venda em um centro de entretenimento com múltiplas ações de marketing. Nesses locais, seriam vendidos produtos relacionados ao autor, por exemplo. A segunda é que elas devem migrar seus negócios para a área digital, procurando oferecer serviços de alta qualidade. Qualidade é algo que ainda falta na internet. Na Amazon, por exemplo, os leitores podem postar comentários sobre os livros que compraram. Antes de qualquer coisa, entretanto, é preciso entender os assuntos de que eles mais gostam, direcioná-los para o que querem comprar e tornar essa experiência mais fácil e rápida. Uma das maneiras de assegurar essa qualidade é por meio das editoras e das livrarias. Quanto mais formas de acesso ao conteúdo, maior a necessidade de ter instâncias que filtrem esse material e assegurem ao leitor a qualidade do que está sendo produzido. Esse já é o papel atual das editoras e continuará sendo por muito tempo.

RELAÇÃO COM OS AUTORES

O conceito de autoria já não é mais o mesmo. Antigamente, somente literatos ou jornalistas podiam emitir opiniões sobre os acontecimentos mais marcantes da sociedade. Hoje, todos podem se manifestar com facilidade inédita, graças à internet. Esse processo tem sido liderado pelos mais jovens, que já nasceram na era digital. Acredito que muitos desses escritores ‘virtuais’ formarão a nova safra de autores. Caberá às editoras identificar esses talentos. Não será surpreendente ver, com muito mais assiduidade, autores que iniciaram sua atividade na internet. Mas isso não prescinde de um forte exercício de editoração. Haverá mais autores, muitos deles amadores, que necessitarão de uma atenção especial das editoras. É preciso assegurar a confiabilidade daquilo que se lê. Por outro lado, temos visto casos em que grandes nomes dispensam a intermediação das editoras na venda de seus livros digitais. Paulo Coelho é um exemplo. O autor brasileiro negociou recentemente um contrato com a Amazon, sem interferência da editora da versão física de seus livros. Mas ainda é um caso raro. Não tenho certeza de que isso será uma tendência. Mesmo que esse tipo de relacionamento comercial vingue, acredito que somente será popular entre aqueles de maior vendagem.

‘Cada vez mais, veremos escritores que surgem na internet. Mas isso não prescinde de um forte exercício de editoração. É preciso assegurar a confiabilidade daquilo que se lê’

PERENIDADE DOS LIVROS

Não acredito na morte dos livros em papel. Simplesmente porque o ato da leitura não é o mesmo, quando feito em leitores digitais. Ler um livro em papel requer uma habilidade especial. A começar porque se leva, pelo menos, meia hora para entender minimamente um contexto. Além disso, há uma forte conexão física entre o leitor e o livro. Essa relação se altera no mundo virtual. Na internet, é comum que se bus-quem informações bre-ves, para ser absorvidas num menor tempo possível. Essa falta de profundidade não se deve apenas ao tipo de plataforma em questão, mas também ao tipo de conteúdo produzido para esse fim. Há alguns fatores que, na minha opinião, permitem uma imersão mais profunda na leitura em papel. O primeiro deles é o próprio hábito. Em segundo lugar, a leitura significa mais do que simplesmente obter informação; representa a essência da alfabetização em seu significado amplo. Ou seja, a possibilidade de não apenas ler as palavras impressas no papel, mas entender o contexto, aprofundar-se nele, refletir e formar uma opinião. Os livros impressos exigem mais, intelectualmente, dos leitores.

O PAPEL DAS FEIRAS

As feiras de livros vão continuar a existir, mas de um jeito diferente. Elas serão mais parecidas a festivais, tais como os grandes concertos de música, e terão grande potencial de crescimento. O contato entre autores, editoras e público continua sendo vital. Os leitores querem conhecer os autores de perto. Por isso, não imagino que teremos feiras virtuais.

O BRASIL EM FRANKFURT

A cada ano, temos um país como nosso convidado de honra em Frankfurt. Na feira deste ano, em outubro, será a Argentina. O país foi escolhido, entre outros motivos, pela imigração europeia. Nossa intenção também foi pôr em destaque a língua espanhola e a cultura hispânica. O Brasil foi homenageado em 1994 e deve voltar a sê-lo em 2013. Mas isso ainda está em negociação e esperamos selar o contrato nas próximas semanas.’

 

INTERNET
Renata Betti

Desafio para as grandes empresas…

‘Há pouco mais de um ano, a AmBev, o gigante do setor de bebidas, resolveu experimentar uma nova estratégia para divulgar dois de seus produtos – a cerveja Skol e o Guaraná Antarctica. Para atingir o público de 18 a 35 anos, a companhia passou a criar filmes engraçados no site de compartilhamento de vídeos YouTube, como o de um dragão fazendo embaixadinhas que se transformava no craque Ronaldo. Só no primeiro dia, mais de 400 000 pessoas assistiram à peça publicitária. A experiência foi considerada promissora e, em julho do ano passado, a AmBev decidiu criar uma equipe dedicada exclusivamente a divulgar a marca Skol nas redes sociais da internet. Sob o comando do administrador Sérgio Eleutério, de 29 anos, quinze profissionais monitoram 24 horas por dia as oito comunidades em que a marca está presente: Twitter, Facebook, Orkut, YouTube, Flickr, Blip.fm, Drimio e Last.fm. O que a multinacional faz não é um ato isolado. Grandes empresas brasileiras estão criando departamentos nesses mesmos moldes. Não é de hoje que as corporações buscam explorar as potencialidades da internet para interagir com os clientes. O que chama atenção agora é o vulto que a estratégia vem tomando. Uma pesquisa da Universidade Duke, dos Estados Unidos, revela que atualmente 10% do orçamento em marketing das empresas é direcionado às redes sociais. Em cinco anos, essa fatia dobrará de tamanho. ‘Em algumas companhias, como a nossa, o investimento nas redes é o segundo em marketing’, afirma Eleutério.

Monitorar o que se diz da empresa na web é um dos pontos cruciais do negócio. ‘Independentemente da vontade das empresas, as pessoas vão comentar sobre elas na rede, para o bem ou para o mal. Quem quiser sair na frente terá de entender a regra do jogo: fazer com que prevaleçam os comentários positivos’, diz Pedro Resende, 32 anos, fundador da Riot, agência focada nas redes sociais. Não é exagero dizer que ficar de fora desse ambiente é uma estratégia arriscada. Tanto que já é bastante expressivo o número de companhias que usam pelo menos alguma ação desse tipo: quase 70% das 100 maiores marcas do mundo. Um estudo feito por duas consultorias americanas especializadas no assunto conclui ainda que há relação entre esse investimento e a lucratividade. Quanto mais ‘engajada’ a empresa na internet, maiores são suas chances de retorno financeiro. Em um ano, as primeiras do ranking tiveram até 20% de acréscimo no faturamento. É o caso da Starbucks, que encabeça a lista. Depois de ter centenas de lojas fechadas nos Estados Unidos em 2008, o gigante dos cafés identificou uma janela de oportunidade no meio virtual. Criou uma comunidade no Facebook para que as pessoas fizessem sugestões e discutissem abertamente o que achavam da marca. Em poucos meses, a comunidade tornou-se uma das mais populares do site, com 6 milhões de fãs atualmente. Além de aumentar as vendas, a medida ajudou a imagem da empresa. Resume o publicitário Marcelo Tripoli, da agência iThink: ‘A Starbucks adotou a melhor tática que existe na rede: abriu um espaço que fomenta o diálogo entre as pessoas sobre a sua marca’.

Ao abrirem espaço para críticas, as empresas transmitem aos consumidores o recado de que, se eles encontram um problema, elas estão dispostas a resolvê-lo (ou a tentar, pelo menos). O grupo Pão de Açúcar, por exemplo, anunciou recentemente a criação de um departamento voltado às redes sociais. O investimento, de 10 milhões de reais para 2010, é um dos mais altos da empresa. ‘Com o crescimento de sites como Orkut, Facebook e Twitter, e a mudança na forma como as pessoas conversam entre si, entendemos que ou o Pão de Açúcar entrava com força no meio digital, ou ficava para trás’, diz Hugo Bethlem, vice-presidente do grupo. A ideia, que veio diretamente de Abilio Diniz (ele próprio tem o seu perfil no Twitter, com quase 14 000 seguidores), é simples: fazer com que as redes sociais realizem o papel da tradicional ouvidoria – só que de forma mais dinâmica. Foi o que aconteceu com uma cliente que reclamou pelo Twitter sobre a falta de um produto no supermercado Extra. Em questão de minutos, um funcionário da empresa respondeu à mensagem indicando onde comprar o item no site da marca. Logo depois, a mulher postou uma frase elogiando o atendimento e recomendando o serviço a seus amigos.

Não são apenas as grandes corporações que usam as redes sociais em sua estratégia de marketing. Ao contrário dos anúncios publicitários, em geral caríssimos, muitas ações feitas nas redes têm custo acessível para pequenas e médias empresas. ‘O principal investimento é o meu tempo’, diz Marcos Leta, fundador de um negócio de sucos naturais que usa a internet para se promover. A Do Bem, criada no Rio de Janeiro no fim de 2008, começou fazendo vídeos pelo YouTube que se tornaram virais (expressão usada para tudo que se espalha na rede em pouquíssimo tempo, originando milhares de comentários). Os vídeos são simples, mas chamam atenção pela criatividade – em um deles, um piano, feito de bolachas wafer, é tocado de verdade. Até agora, parece que a fabricante de sucos encontrou a fórmula certa: com perfil em quase todas as redes sociais, ela é to popular na rede que gente de todo o país pergunta quando a marca chegará a sua cidade.’

 

TELEVISÃO
Marcelo Marthe

A guerra no fim do mundo

‘Depois de uma noite de combate intenso, os fuzileiros navais americanos têm uma visão do inferno ao despertar nas areias de Guadalcanal – ilha da Oceania onde se iniciou, em 1942, a ofensiva dos Estados Unidos contra o Japão na II Guerra. Das pilhas de cadáveres que cobrem o que até horas antes era uma praia paradisíaca, sai um soldado japonês mais morto do que vivo – mas disposto a continuar lutando. ‘Maldito macaco amarelo’, reagem os americanos – e alguns passam a se divertir dando tiros destinados a apenas ferir, sem matar, o inimigo, para prolongar seu sofrimento. A cena do primeiro episódio da minissérie The Pacific, que estreia em 11 de abril no canal HBO, é uma espécie de resumo das intenções de seus produtores, o diretor Steven Spielberg e o ator Tom Hanks. Assim como no filme O Resgate do Soldado Ryan (1998) e em outra série da HBO, Band of Brothers (2001), a dupla se une novamente para retratar, com crueza realista, o dia a dia dos combatentes do conflito. Ao longo de seus dez capítulos (que custaram 200 milhões de dólares, o maior orçamento de uma série de TV em todos os tempos), The Pacific se debruça sobre a disputa dos americanos com as forças do Japão imperial em ilhotas remotas. Como nas produções anteriores, que enfocavam o embate com os nazistas na Europa, Spielberg e Hanks examinam o efeito devastador da guerra sobre a mente (e o caráter) daqueles que são lançados nela. Mas a mudança para o teatro de operações do Pacífico permite que se toque em uma questão cara aos americanos na atualidade: as armadilhas do confronto com um inimigo cuja cultura lhes é impenetrável.

Em um episódio de Band of Brothers, um veterano que participou da frente europeia observava que, muito embora ele e seus colegas lutassem com os alemães até a morte, era possível imaginar que, em outra situação, eles seriam capazes de travar amizade com aquelas pessoas: de um lado e do outro do front, eram quase todos brancos e cristãos, com origens e modos de vida similares. Com o Japão dos tempos da II Guerra, dava-se o contrário. Tratava-se de um dos países mais isolados do mundo, cuja cultura e religião nada tinham em comum com o Ocidente. O choque entre as duas nações, portanto, não era apenas bélico – era um choque de civilizações. The Pacific não pretende ser uma alegoria dos dissabores americanos no Iraque ou da luta contra os terroristas islâmicos da Al Qaeda. Mas a escolha deste momento para relembrar aquele capítulo da história não poderia ser mais oportuna.

Foi no Pacífico que os Estados Unidos tiveram sua mais longa frente de atuação na II Guerra. Ela se iniciou em dezembro de 1941, com a entrada oficial do país no conflito, desencadeada pelo bombardeio japonês à base de Pearl Harbor – mais de seis meses antes de os americanos virem a atuar no front europeu. E só se encerrou com a capitulação do Japão, em setembro de 1945, depois do lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. O projeto da minissérie nasceu durante a produção de Band of Brothers, quando foram recolhidos depoimentos de veteranos das batalhas naquela parte do mundo. The Pacific se baseia na trajetória de três deles, Eugene Sledge, Robert Leckie e John Basilone (interpretados, respectivamente, pelos pouco conhecidos mas excelentes Joseph Mazzello, James Badge Dale e Jon Seda). A minissérie desnuda o horror que esses homens viveram. Havia, de um lado, os embates com o inimigo insidioso, bem armado e obstinado até um nível suicida. De outro, a angústia da fome, do tédio e de doenças como a malária. Essa situação limítrofe acarretou mais de 100 000 baixas só do lado americano – e levou milhares de combatentes a um quadro de stress pós-traumático. (Leckie foi um deles: depois do mergulho na barbárie, acabou internado num hospício.) Um veterano da Guerra do Vietnã foi encarregado de submeter o elenco a treinamentos excruciantes com o objetivo de reproduzir tal efeito.

O combate com guerreiros que obedeciam a um código de honra segundo o qual lutar até a morte era preferível a qualquer forma de rendição resultou em batalhas de pesadelo, como as de Guadalcanal, Okinawa e Iwo Jima. Uma praia no norte da Austrália foi fechada por vários meses para a reconstituição das batalhas. Foram transportados para lá 500 coqueiros, a fim de reproduzir a paisagem de lugares como Peleliu, ilha minúscula que foi palco de um dos enfrentamentos mais violentos, culminando na morte de quase 2 000 americanos e mais de 10 000 japoneses. Ainda que no momento do ataque já se soubesse que a conquista de Peleliu seria estrategicamente irrelevante, a rivalidade entre dois generais americanos – um defendia a invasão, o outro tentava sabotá-la – acabou multiplicando a carnificina. Na guerra, demonstra The Pacific, o inimigo pode mesmo estar em toda parte. Até nas linhas aliadas.’

 

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