Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > CASO GONGADZE

Viúva de jornalista critica investigação

16/01/2006 na edição 364

A viúva do jornalista Georgiy Gongadze, cuja morte foi um marco na Revolução Laranja que culminou na troca do poder na Ucrânia em 2004, afirmou na semana passada para jornalistas em Moscou [RIA Novosti, 11/1/06] que está insatisfeita com as investigações sobre o assassinato de seu marido.

Gongadze foi achado morto em 2000, decapitado, carbonizado e com sinais de espancamento. As circunstâncias de sua morte causaram comoção nacional e uma crise no governo do então presidente Leonid Kuchma, que chegou a ser acusado de ter ordenado o crime.

Desde que assumiu a presidência, Viktor Yushchenko prometeu que se empenharia em solucionar o caso – um dos principais motivos pelos quais a população perdeu a confiança em Kuchma.

Um crime, muitos culpados

De acordo com Myroslava Gongadze, há dois casos diferentes em jogo: um que envolve três policiais que agora enfrentam julgamento, e outro que envolve as pessoas que ordenaram o crime. ‘Nós somos proibidos de seguir o último’, afirma ela. ‘Os policiais devem ser punidos, é claro, mas não apenas eles. Eu tentarei achar novas testemunhas, e os mandantes do assassinato serão conhecidos’.

Myroslava diz também que a investigação tem sido protelada por diversas desculpas. Uma delas diz respeito a uma fita de áudio gravada por um ex-segurança de Kuchma. Nela, um homem apontado como o ex-presidente ordenaria que seus subordinados lidassem com o jornalista. A existência de uma prova desta importância, entretanto, retarda ainda mais o processo de investigação, pois sua autenticidade precisa ser comprovada por especialistas.

A viúva diz ter certeza de que a gravação é autêntica. ‘O que eu ouvi não deixa dúvidas de que se trata das vozes de Kuchma, de [Volodymyr] Lytvyn [hoje presidente do Parlamento] e de [Leonid] Derkach [que na época comandava o Serviço de Segurança Nacional]’, afirma. ‘Eles discutiam como se livrar de Georgiy’.

Myroslava afirma que o julgamento dos três policiais, que teve início na semana passada, é absurdo. Ela conta que, na primeira audiência, teve que sentar bem próxima aos acusados. ‘É difícil de suportar, psicologicamente’, desabafou. O início do julgamento não foi aberto ao público, como havia sido prometido por Yushchenko. A viúva culpa, em parte, a elite política ucraniana pela ineficiência da solução do crime cometido contra seu marido. ‘Se a caixa de Pandora for aberta, muitos poderiam enfrentar acusações de assassinato’, conclui.

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