Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

MONITOR DA IMPRENSA > O FUTURO DOS JORNAIS

Web não substitui impresso, diz pesquisadora ao Inquérito Leveson

Por lgarcia em 20/07/2012 na edição 703

 

Tradução: Larriza Thurler (edição de Leticia Nunes)

 

“O Huffington Post e outros sites do gênero não são o futuro do jornalismo, pois não publicam reportagens profundas”, afirmou Claire Enders, fundadora da empresa de pesquisa de mídia Enders Analysis, em depoimento no Inquérito Leveson, aberto a pedido do primeiro-ministro britânico para investigar os padrões éticos da imprensa no país. Para ela, jornais tradicionais, como Guardian e Daily Mail, também não acharam a “fórmula mágica” para o futuro digital.

Prevendo um cenário desanimador sobre o futuro dos jornais, Claire argumentou que o meio online não está substituindo os jornais, com os consumidores apenas vagando pela rede, em vez de se aprofundar em conteúdo. Pesquisas mostram que, no Reino Unido, o leitor gasta, em média, 40 minutos por dia com um jornal impresso, comparados aos 15 minutos por mês gastos com a versão online. “Isto não é suficiente para manter o jornalismo. Isto é menos do que um minuto por dia. Não é um engajamento significativo. As pessoas não vão pagar por algo com que não estão verdadeiramente engajadas”, opinou.

Cenário nada bom

A receita oriunda dos jornais digitais reforça seu argumento. No inquérito, ela afirmou que um gigante como o Mail Online, que perde apenas para o New York Times como título de maior site de jornal do mundo, movimentou 16 milhões de libras (cerca de R$ 52 milhões) no último ano financeiro – pouco, comparado aos 608 milhões de libras (cerca de R$ 1,9 bilhão) gerados pelos jornais Daily Mail e Mail on Sunday. O Guardian, que tem uma audiência online grande, gerou apenas 14 milhões de libras (R$ 44 milhões) no último ano financeiro – 1/10 da receita das edições impressas dos impressos Guardian e Observer.

Para Claire, o portal agregador de notícias Huffington Post é um “fenômeno interessante”, mas que não emprega jornalistas para “fazer um trabalho complexo” nem tem a cultura jornalística de jornais com centenas de anos de experiência na cobertura de escândalos – como os revelados pelo WikiLeaks, o das despesas de parlamentares britânicos ou o dos grampos telefônicos, denunciados por veículos impressos. Informações de Lisa O’Carroll [The Guardian, 17/7/12].

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