Terça-feira, 23 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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Os aviões não tripulados das edições midiáticas

Por Luís Eustáquio Soares em 09/07/2013 na edição 754

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Marx, no primeiro volume de O Capital (1867), forneceu-nos a fórmula de nosso sistema mundial de produção de mercadorias: D-M-D, onde d é dinheiro e m é mercadoria. Não sem humor, o que Marx pretendia mostrar com essa equação era simplesmente que ela se constitui como um verdadeiro círculo vicioso, pois qualquer relação mediada pelo dinheiro perde seu conteúdo intrínseco, suas qualidades próprias, e se torna parte de uma relação mercantil; entra, quer queiramos ou não, no circuito das relações mercadológicas – na verdade um curto-circuito que atinge indistintamente o amor da mãe pelo filho, os amores carnais, as amizades mais sinceras, as lutas pela emancipação da humanidade. Através da falsa – mas soberana – universalidade da abstração do dinheiro, tudo tende a ser sequestrado, entrando no redemoinho do domínio do capital, situação que faz com nada mais possa se tornar referência comum, planetária: só o dinheiro pode ser global, razão por que, nesse contexto, tornamo-nos os cordeiros do deus dinheiro, seus súditos, suas mercadorias.

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Assim se faz a trama, apanhando também a quem ama. Eis um exemplo entre indefinidos. Joana, menina órfã de quatorze anos, compra seu almoço num pequeno restaurante de uma periferia qualquer do mundo. Paga-o com o dinheiro ganhado com a venda de seu sexo na noite anterior. O marido de uma devota, dona de um simples restaurante, transou com ela, pagando sete reais. A dona do restaurante frequenta todos os cultos da igreja de seu bairro. Com o dinheiro da prostituta, que foi de seu marido, funcionário aplicado de um hospital infantil, a dona do restaurante comprou uma bíblia para presentear sua netinha. Não existe, pois, espaço para inocência, o dinheiro é o turbilhão invisível que faz friccionar os corpos, no amor e no ódio, num contexto a partir do qual apenas enxergamos os rostos, sem considerar o próprio dinheiro, que se infiltra em todas as relações, de forma sinistra, constituindo a direta palavra de ordem que envenena as linguagens e as ações humanas, objetivamente, motivo pelo qual a menina prostituída não é a exceção, mas a regra. Sua precoce prostituição constitui um índice geral da prostituição de todos, encarnado nela, mas absolutamente nunca nela apenas. Todos somos a menina prostituída.

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Eis, entre infinitos, a continuidade da trama fatalista do deus dinheiro. Para comprar seu almoço, Joana precisa de dinheiro. Para obtê-lo, vende seu próprio corpo. Transforma-se, pois, numa mercadoria. Oferece-a, a mercadoria de seu corpo, a uma clientela de sua região, onde o dinheiro circula independente de sua origem para efetivamente transformar tudo em mercadoria: a prostituta, o marido da dona do restaurante, a dona deste último, sua netinha, o almoço, os ingredientes do almoço, o camponês que plantou a couve do almoço, uma empresa multinacional de alimentos que beneficiou o arroz comido por Joana, que foi vendido no supermercado do seu João Aparecido, que paga religiosamente o dízimo na Igreja Católica, que usa todo o dinheiro arrecadado para manter uma creche especializada em crianças especiais, que igualmente recebe dinheiro do programa de caridade Criança Esperança, da TV Globo, que usa, por sua vez, todo o dinheiro que arrecada do povo brasileiro para garantir uma fortuna de desconto de imposto de renda, sendo, pois, beneficiada por um governo que a TV Globo mesmo sem cessar ataca, como um PIG, um Partido da Imprensa Golpista, a serviço dos Estados Unidos, o centro mundial da emissão infinita de dinheiro, que enviam aviões não tripulados para um tanto de lugares do mundo, com o qual vigiam e matam crianças órfãs afegãs, africanas, paquistanesas, mulçumanas, palestinas, precisamente porque mísseis de iguais aviões não tripulados, guiados por inocentes jovens a milhares de quilômetros dali, mataram seus pais em tenebrosos dias e noites precedentes, a partir da autorização de um presidente que se elegeu porque recebeu muito dinheiro de multinacionais poderosíssimas, as quais, não sem muito suborno, seduzem, compram e cooptam ONGs, empresários, fundações, pesquisadores, jovens talentosos, instituições diversas para que, agindo em consonância com os fluxos do deus dinheiro, ponham “livremente” os recursos de seus respectivos países nas mãos parasitárias dos multimilionários ou mesmo multibilionários donos da abstração universal do deus dinheiro, deixando o pai de Joana e ela mesma tão abandonados como as mencionadas crianças órfãs cujos pais morreram atingidos por mísseis de aviões não tripulados; crianças que crescem e, assim como Joana, só possuem o desolado corpo para ofertar não casualmente inclusive a soldados americanos, muitos dos quais, após transarem com órfãs prostitutas, ofende-as barbaramente, resolvendo ao mesmo tempo não as pagar, alegando que o corpo delas não vale dinheiro algum, quanto mais o santo dólar, usado no mundo todo para comprar cobiçadas mercadorias.

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A fórmula do capitalismo, D-M-D, toma-nos a todos, sem exceção. Ela está, pois, nas ruas, manifestando contra as injustiças sociais através de um mundo rendido à sociedade do espetáculo. Esta nada mais é do que o espetáculo social da abstração do dinheiro encarnado em nós mesmos, ao alimentarmos – com nossos corpos, ações, paixões – edições e reedições espetaculares de nossas presenças supostamente insubmissas nas ruas do Brasil. A sociedade do espetáculo transforma tudo em espetáculo em nome precisamente do deus dinheiro, com seus dólares de subornos, de cooptações, de submissões, de rendições. Quer queiramos ou não, ser apanhado pelo espetáculo equivale, portanto, a ser subornado.

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O dinheiro é o grande espetáculo mundial – a grande farsa ilusionista que inverte, reverte e perverte a tudo e todos. É em nome dele, de muito dinheiro, que age a sociedade do espetáculo. Esta, segundo Guy Debord, detém dois traços indiscerníveis: 1) um primeiro, para o qual Marx já nos tinha chamado a atenção, relacionado à observação de que nossa sociedade está de cabeça para baixo, pois de modo geral é a lógica do opressor, o parasita-mor, que se torna a referência comum; lógica que não tem absolutamente nada de comum, pelo contrário, visto que beneficia uma oligarquia nacional e planetária em detrimento das maiorias abandonadas; 2) em função de vivermos numa civilização que se estrutura de cabeça para baixo, o segundo traço da sociedade espetacular torna-se a separação inevitável dos destinos humanos, pois num contexto a partir do qual é precisamente o comum que é roubado, é também, por isso mesmo, a dimensão comum que inexiste socialmente, de modo que tenderemos sempre a nos separar mais ainda do comum, separando-nos da gente mesmo, quanto mais desejamos e agimos em conformidade com um mundo de cabeça para baixo – quanto mais, portanto, buscamos nossa felicidade, se entendemos esta como uma forma de submissão à lógica do opressor, a qual pode ser simplesmente definida como a que nos faz viver com o objetivo de nos darmos bem, de, enfim, conseguirmos vencer na vida através, por exemplo, do sucesso amoroso, econômico, profissional.

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A sociedade do espetáculo, pois, é a que torna espetacular a separação nossa do comum, normatizando-a, naturalizando-a e, mais ainda, divulgando-a efusivamente, como se fosse o próprio espetáculo. Por isso é possível afirmar que o espetáculo de nossa separação do comum o é antes de tudo do dinheiro, pois este ratifica nossa separação paradoxalmente aproximando-nos, pois se em tudo existe relações mercantis, se o dinheiro perpassa direta e indiretamente todas as relações, aproximando corpos, paixões e ações, ele também os separa inevitavelmente, inviabilizando o encontro honesto, laico, de infinitas possibilidades, entre as pessoas – e separa porque o dinheiro é a abstração negativa de tudo que existe; nele, dizia Marx, não é possível sentir o suor do pão de cada dia. O dinheiro nos desvaloriza quanto mais o valorizamos. Nossa relação com ele, pois, é inversamente proporcional: quanto mais o valorizamos, mais somos desvalorizados; mais sua abstração nos desencarna, nos desapropria, torna-nos miseráveis, condenados ao despotismo de sua soberania absoluta.

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As diferenças de gênero, étnicas, comportamentais, religiosas e mesmo econômicas, tão badaladas no contemporâneo, não poderão, sob esse ponto de vista, produzir verdadeiras alternativas, em processo, senão resistindo à separação imposta pela falsa universalidade do dinheiro, que nos torna espetaculares, separando-nos e nos fazendo agir de cabeça para baixo, tragados pelo espetáculo não menos separado de nossas diferenças isoladas. Estas estão marcadas inevitavelmente pela seguinte palavra de ordem: a decadência separada de minha diferença será compensada pelo espetáculo, pois este a apresentará, sempre isoladamente, como espetacular, tendo em vista a farsa de que só seremos mesmo diferentes se nos opusermos ao comum, ao coletivo, ao mundo de todo o mundo.

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A sociedade espetacular, portanto, separa-nos do mundo de todo o mundo, realizando sem cessar o espetáculo de pessoas consideradas famosas, únicas, precisamente porque estão separadas do comum. Na civilização do espetáculo, somos incomuns porque não apenas nos separamos do comum, mas antes de tudo porque devemos odiá-lo. Eis porque as guerras que ocorrem por todos os lados são igualmente espetaculares. Elas são a consequência mais evidente e ao mesmo tempo mais trágica de nossa separação do comum. Através da sociedade do espetáculo nosso ódio ao mundo se expressa com guerras ao mundo. Não é mera coincidência, assim, que o centro de comando da maior parte das guerras que se espalham pelo planeta – guerras militares, econômicas, simbólicas, comerciais – esteja localizado nos países não menos centrais do Ocidente, especialmente os Estados Unidos. O imperialismo ocidental, sob os pés da oligarquia bélica americana, é a prova cabal de que a sociedade do espetáculo constitui-se mundialmente através do imperialismo espetacular ocidental. O sistema ocidental, sob a direção planetária dos Estados Unidos, é palavra de ordem espetacular que promove, organiza, administra os genocídios ocorridos no interior de uma humanidade espetacularmente separada do comum e que só sabe relacionar-se com este sufocando-o, violentando-o, subjugando-o, matando-o.

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As palavras de ordem, pois, da sociedade do espetáculo ou do espetacular imperialismo ocidental-americano são: mais espetáculo, mais separação, mais mentira, mais ódio ao mundo, mais guerras, mais inferno, miséria, tragédia e extremadamente real sofrimento da esmagadora maioria da humanidade. Se o espetáculo é a separação do mundo real, concreto, este, por sua vez, transforma-se inevitavelmente em cotidiano miserável no qual e através do qual a vida agoniza-se sob o peso bélico do espetáculo de uma oligarquia planetária separada do mundo de todo o mundo, razão por que, não nos iludamos, só sabe se relacionar com a vida cotidiana realizando o espetáculo trágico de sua destruição, impiedosamente.

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Mas afinal o que é uma palavra de ordem? É, de acordo com a definição de Gilles Deleuze e Félix Guattari, a unidade mínima da linguagem, posto que se constitui como o verdadeiro motivo da ação comunicativa. Mais que ter a função de comunicar, a linguagem pode ser definida, sob esse ponto de vista, como transmissão sem fim de palavras de ordem, de sentenças de morte. A função comunicativa da linguagem é, nesse sentido, o suporte de palavras de ordem. Estas se apropriam do que se diz ou se escreve – como fazem os vírus – a fim de transmitir, sem serem percebidas, sentenças de mortes. É por isso que os dois principais traços da palavra de ordem são: o discurso indireto e a variação indefinida. Uma palavra de ordem jamais se expressa abertamente. Está sempre oculta no discurso indireto e se utiliza da variação sem fim das situações de linguagem para se efetivar como sentença de morte. Uma palavra de ordem, portanto, jamais é evidente. Está precisamente onde não supomos que poderia estar.

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É por isso que é possível dizer que a palavra de ordem das manifestações de junho –ainda em curso – que tomaram as ruas do Brasil é: o impedimento de Dilma e o fim dos governos petistas, principalmente no âmbito da presidência da República. Sob esse ponto de vista, bandeiras como o fim da corrupção, eliminação da PEC 37, queremos um país mais justo, fim da violência, fim dos preconceitos – e mesmo bandeiras fincadas na realidade miserável da população brasileira, como a que diz respeito à exigência de um transporte público de qualidade, com um preço absolutamente acessível, foram e ainda são a cadeia de transmissão ou os discursos diretos que serviram de suporte ao que estava, está e estará em jogo: o poder federal brasileiro nas mãos de um presidente ou presidenta totalmente submetido aos interesses do imperialismo americano, ao Tio Sam, como seu servil capacho, tal como ocorre na atualidade com a Europa, basicamente governada por ignominiosas figuras submetidas até o miolo aos Estados Unidos.

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É assim que o sistema midiático mundial – as corporações midiáticas – usa todo o seu aparato tecnológico para transmitir indiretamente, mas de forma onipresente, esta palavra de ordem: todo nosso espetáculo é cadeia de transmissão para submeter o planeta ao império dapax americana. Novelas, noticiários, filmes, programas de entretenimentos, entrevistas, shows de música, enfim, o conjunto da programação televisiva, para ficar no caso mais evidente, não passa de discurso indireto para fazer valer este imperativo categórico: as riquezas dos povos pertencem às multinacionais americanas, com uma rebarba repassada às multinacionais europeias, através de uma compensação, rebarba de rebarba, às oligarquias dos demais países do mundo, vassalos dos vassalos.

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A sociedade do espetáculo cumpre, pois, uma função parecida ao Coliseu romano, à época do Império Romano: servem para banalizar e barbarizar as populações do mundo, transformando-as elas mesmas em servis cadeias de transmissão da palavra de ordem de sempre: o mundo tem sua metrópole colonizadora e suas periferias colonizadas. Tudo o mais – inclusive os estudos culturais, o multiculturalismo, os estudos pós-coloniais – torna-se ou deve tornar-se um aglomerado de discursos indiretos que serve antes de tudo para esconder a mais dura realidade que vive a população mundial, roubada, humilhada, refém da mais inominável miséria para que os donos do planeta tenham mais e mais, tomados que estão pelo espetáculo do dinheiro, cuja abstração nada mais é do que a seguinte palavra de ordem: é preciso distanciar-se do mundo, abstraí-lo, para que vivamos “democraticamente” felizes sem sermos incomodados pela presença física dos efeitos dos efeitos dos efeitos de nossa ação criminosa sobre o planeta.

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É nesse sentido que a presidenta Dilma Rousseff, ela mesma, tem sido uma cadeia de transmissão da palavra de ordem do inferno que se abate sobre a Terra. Como foi dito, uma palavra de ordem se apoia no discurso indireto, o que significa dizer que ela pode se apoiar, e efetivamente o faz, em qualquer um, independente do que se faz, se pensa, se diz. Dilma jamais poderia ter feito um acordo implícito ou explícito com a TV Globo. Jamais poderia ou poderá confiar na empresa da família Marinho; ela ou ninguém que esteja comprometido com a justiça dos povos. A TV Globo produz uma diversidade de programas e a usa para transmitir a palavra de ordem-mor: estar a serviço dos interesses dos Estados Unidos no Brasil e na América Latina. É para isso antes de tudo que servem as novelas. É para isso antes de tudo que servem quaisquer programas produzidos e transmitidos pela TV Globo, independente das pessoas que os protagonizam: para transmitirem palavras de ordem de submissão à ordem imperialista do Ocidente. Não ter tido a consciência clara sobre essa situação e mesmo ter feito um acordo nos bastidores com a TV Globo, como parece ter feito a presidenta Dilma, é apresentar-se pessoalmente como suporte direto do discurso indireto da palavra de ordem: submissão aos Estados Unidos, aos banqueiros, às multinacionais e, portanto, ao golpe contra seu próprio governo. Falar, como falou a presidenta, que o Brasil não precisa de uma lei dos médios porque a melhor forma de lidar com a televisão é desligando-a, não passa de cadeia de transmissão da seguinte palavra de ordem: não mexem conosco, as corporações midiáticas, pois somos o espetáculo de todas as palavras de ordem, principalmente esta: servilismo aos donos do mundo.

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Não foi circunstancial que as manifestações que tomaram o Brasil tenham explodido precisamente durante o período da Copa das Confederações. A dona do monopólio de transmissão do evento, a TV Globo, usou a Copa das Confederações como um momento oportuno para transmitir a palavra de ordem vinda dos centros imperiais e obscuros do mundo: promovam o espetáculo do futebol nos estádios e o espetáculo do impedimento de Dilma nas ruas. E assim foi. E assim tem sido. E assim será, não nos iludamos, no período da Copa do Mundo no ano que vem. Dilma não precisa mais se iludir: a TV Globo realizará e ganhará muito dinheiro monopolizando a transmissão da próxima copa e ao mesmo tempo transmitirá para todo o planeta o “fora Dilma” encarnado nas manifestações que novamente tomarão as ruas do Brasil. A saída possível para essa palavra de ordem, “o fora Dilma”, que também ocorrerá na próxima Copa, será ou se fará através do aprofundamento de um intenso diálogo com a sociedade brasileira, na contramão da TV Globo e das oligarquias, assumindo integralmente as legítimas demandas que estão nas ruas, devidamente separando-as da palavra de ordem que as seqüestrou: a submissão aos Estados Unidos.

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Agora é, pois, a hora de um imposto progressivo. É hora de taxar os ricos e eximir os pobres da carga tributária que lhes pesa sobre as costas, usando esse dinheiro para financiar as demandas por transporte coletivo digno, reforma agrária e uma infinidade de outras. Agora é o momento de acabar definitivamente com a autonomia do Banco Central, intervindo com soberania na taxa dos juros, colocando-a num patamar que não sacrifique nem a economia nem ao povo. Agora é o momento de abandonar definitivamente com o malfadado superávit primário. Agora é o momento de uma reforma política baseada no financiamento público das campanhas eleitorais, para impedir totalmente a farsa de uma democracia dos ricos. Agora é o momento, como nunca, de protagonizar, de forma corajosa e decidida, uma lei dos médios parecida, pelo menos, com a da Argentina e a do Equador, acabando de vez com o seqüestro espetacular da liberdade de expressão dos brasileiros, realizado sob o nome comum do oligopólio midiático.

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Agora é a hora, enfim, de usar o poder de forma realmente democrática: a serviço do mundo de todo o mundo, da população abandonada secularmente, para não dizer milenarmente. Agora, novamente enfim, é a hora de se voltar contra a sociedade do espetáculo, como o lugar da palavra de ordem do espetáculo da concentração de riquezas, da subordinação aos donos do mundo, colaborando decididamente para o fim da separação – sob a forma, por exemplo, de luta de classes – entre os humanos. Agora é hora de governar contra o parasitismo das elites e a favor das pessoas comuns, de carne e osso.

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Do contrário, o que já está ocorrendo, seu governo, Dilma, será a própria separação, ficará isolado do mundo de todo o mundo, tornando-se presa fácil do espetáculo que já foi montado para sua saída de cena de forma humilhada e impiedosa. Não tenha dúvida, Dilma, se não sair da defensiva, se não fizer o que tem que ser feito, Vossa Excelência levará um exemplar pé na bunda da Casa Grande e será fisicamente a encarnação humilhada da seguinte e definitiva palavra de ordem: a Casa Grande pertence aos donos do mundo e a senzala existe para ser eternamente senzala.

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Os aviões não tripulados também estão nas ruas do Brasil. Guiados à distância, em sinistras montagens televisivas, lançando mísseis espetaculares de povos contra si mesmos.

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Luís Eustáquio Soares é poeta, escritor, ensaísta e professor do Departamento de Letras da Ufes

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