Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MOSAICO > DESAFIOS DA INFORMAÇÃO

Os dilemas éticos para os novos produtores de notícia

Por Ana Karla Farias em 27/01/2015 na edição 835

Certa feita, estava eu contemplando a paisagem que se mostrava do lado de fora da janela do carro, enquanto viajava taciturnamente, quando dei acordo de mim, o cenário que se fazia sereno, tornou-se tumultuado, e em meio ao silêncio rebentavam ruídos sonoros. Era um acidente de trânsito que houvera ocorrido, e de súbito, os curiosos aglomeravam-se, já tratando de fotografar com as câmeras de seus celulares e postar nas redes sociais suas versões acerca do acontecimento.

Na era da sociedade em rede, tão profanada pelo sociólogo Manuel Castells, aufere-se que o desenvolvimento das novas tecnologias e plataformas digitais acarretou impactos nos diversos campos das relações humanas, comportamento e na interação entre receptor da mensagem e mídia.

Afinal, a participação cada vez mais ativa do público receptor em face do surgimento das novas tecnologias é evidenciada quando constatamos o grande percentual de informações enviadas por meio dos celulares, blogs, redes sociais. Ou seja, o consumidor da notícia não é mais aquele sujeito inerte, apontado pela teoria hipodérmica, que tão-somente recebia informações sem qualquer questionamento e interação. O receptor da mensagem também se tornou emissor dela, no momento em que produz igualmente conteúdo.

Mas será que as mudanças provocadas pela internet e novas plataformas digitais ao jornalismo e ao processo de comunicação não nos condicionam a repensar a ética jornalística? Haja vista que a descentralização da produção de notícias também apresenta seus efeitos colaterais. Hoje é bem mais fácil, a título de exemplo, copiar, plagiar e multiplicar imagens e conteúdos, violar a privacidade e avida íntima de particulares, flagrando cenas e gravando conversas sem autorização da fonte.

Imagem-atributo vs. imagem-retrato

A distribuição de informações e a democratização do acesso a elas por intermédio da internet e do advento das novas tecnologias digitais é merecedora de ser ovacionada. Contudo, os novos produtores de notícia, a população em geral, devem ter cautela no momento de expor um conteúdo ou imagem que possam ter desdobramentos catastróficos para a reputação e honra da pessoa envolvida. É preciso que na euforia e ânsia para divulgar a informação ou a imagem bombásticas, nas redes sociais e angariar muitas curtidas e popularidade, reflita-se e desperte-se a consciência para o agir ético e em respeito à lei e à dignidade humana. Nos dizeres do jornalista Christofoletti, é importante dissociar a imagem-retrato da imagem-atributo para não incorrermos em violação ao direito à imagem das pessoas. O desrespeito ao direito de imagem implicará em dano moral se a imagem-atributo do indivíduo for ferida. Ou seja, a imagem concernente à moral do sujeito.

Eis os novos desafios aos cidadãos produtores de notícia – saber respeitar os limites éticos e legais dos seus atos.

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Ana Karla Farias é jornalista e estudante de Direito

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