Domingo, 19 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1037
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Jornalista e poeta, 84 anos

Por O Globo em 08/02/2011 na edição 628

Em 1956, o jornalista e poeta Reynaldo Jardim criou o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, que ao longo dos anos se tornou referência na imprensa, na literatura e no design por unir uma diagramação inspirada na estética concretista a um time de colaboradores de peso, como Ferreira Gullar, Mário Faustino e os irmãos Augusto e Haroldo de Campos, entre outros. Um dos artífices da reforma gráfica do Jornal do Brasil, que revolucionou a forma como se fazia jornal no país, Jardim foi ainda editor do SDJB, do Caderno B – que surgiu em 1960 como o primeiro suplemento exclusivamente voltado para assuntos de cultura e entretenimento do Brasil – e do Caderno de Domingo.

Ele também dirigiu a Rádio Jornal do Brasil. Antes disso, foi redator das revistas O Cruzeiro e Manchete e trabalhou em diversas rádios do Rio, como Rádio Clube do Brasil, Mauá, Globo e Nacional. Reynaldo Jardim deixou o JB em 1964 devido à pressão exercida pelo recém-instaurado regime militar. Depois disso, foi diretor da revista Senhor e diretor de telejornalismo da TV Globo. Em 1967, criou o jornal-laboratório O Sol. Continuou sua atividade na imprensa durante as décadas seguintes, colaborando com a reforma gráfica de jornais em diversas cidades do país, como Curitiba, Belém e Brasília. Nos últimos anos, Reynaldo Jardim manteve uma coluna de poesia no Caderno B do Jornal do Brasil.

Prêmio Jabuti de poesia

Jardim foi um dos signatários do Manifesto Neoconcreto, assinado por Ferreira Gullar, Amilcar de Castro, Franz Weissmann, Lygia Clark e Lygia Pape, entre outros, que foi publicado em 1959 no Suplemento Dominical do JB e serviu de abertura para a 1ª Exposição de Arte Neoconcreta, realizada no Museu de Arte Moderna do Rio no mesmo ano.

Como poeta, publicou 14 livros, entre eles Joana em flor e Viva o dia. No ano passado, foi surpreendido com o segundo lugar no Prêmio Jabuti de poesia, pelo livro Sangradas escrituras, um volume de 1.200 páginas editado e publicado por ele mesmo: ‘Nunca escrevi por interesse comercial. Comecei ainda menino, escrevendo para conquistar uma prima por quem era apaixonado’, brincou em uma entrevista publicada no Globo, na época.

Nascido em 13 de dezembro de 1926, Reynaldo Jardim morreu nesta terça-feira [3/1], aos 84 anos, em Brasília, devido a um aneurisma na artéria aorta.

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