Observatorio da Imprensa - Materias - 26/02/2003

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MULHERES APAIXONADAS
Leila Reis

"Novelão de Manoel Carlos é o refresco da TV", copyright O Estado de S. Paulo, 23/02/03

"Os críticos chamam de teatrão os espetáculos sem engajamento cujo único objetivo é entreter e conseqüentemente garantir sucesso comercial. Na TV existe o novelão, que captura o espectador pela diversão e não por alguma causa. O rei do novelão é, sem dúvida alguma, Manoel Carlos, o autor de Mulheres Apaixonadas, que substitui a arrastada e esquizofrênica Esperança no horário nobre da Globo.

Quando alguma trama de Manoel Carlos é anunciada, o público já sabe o que virá. Imagens belíssimas de um Rio de Janeiro glamourizado, bossa nova, mulheres peruas, mansões, festas chiques, romances arrebatadores e muitas intrigas.

O universo de Manoel Carlos é circunscrito à zona sul e aos problemas da classe média carioca. Há quem possa dizer que suas histórias destoam desse Brasil novo, interessado preponderantemente nas questões sociais.

Mas quem disse que novela precisa ser coerente com a conjuntura nacional? Talvez seja a avalanche de desgraças que a TV despeja em cima do telespectador todos os dias que leve o público a desejar um refresco. Um pouco de glamour para contrabalançar com o festival de rebeliões, desbarrancamento de encostas, acidentes de trânsito, crimes nefastos, desgraças individuais exploradas às últimas conseqüências pelas revistas femininas, programas de auditório e pelos ‘noticiários’ policiais.

Talvez esteja aí também a boa receptividade do telespectador para com Mulheres Apaixonadas, que estreou com 45 pontos de média no Ibope (na Grande São Paulo) e manteve a marca na noite seguinte.

Poder invadir mansões e testemunhar o modo de vida chique das peruas e suas intrigas fúteis, sobrevoar as praias da Barra da Tijuca (sem gastar um tostão) e apreciar a forma física de mulheres e homens que nunca vão estar em sua sala é um luxo para o telespectador médio. E ele sabe que Manoel Carlos é o passaporte para essa viagem.

Sabe também que, se a novela é dele, vai reencontrar figurinhas supercarimbadas no elenco. Umberto Magnani, Helena Ranaldi, José Mayer, Suzana Vieira, Tony Ramos, Regina Braga e Julia Almeida são peixinhos de Manoel Carlos.

As mulheres apaixonadas da novela são mulheres insatisfeitas. Como em outras novelas MC, são elas que movimentam a trama. Lorena (Suzana Vieira), assim como Branca de Por Amor, é a perua-mor que manipula a vida de todos à sua volta. A brecada que ela dá em Sílvia (Natália do Valle) para garantir o casamento (já fadado ao fracasso) dos filhos para não decepcionar os convidados nem desperdiçar o dinheiro gasto na festa foi monumental e já mostra que caminhos a perua vai trilhar.

Christiane Torloni também seguirá a pauta criada por MC para as Helenas antecessoras: o da finesse e do comedimento, isso até ser arrebatada pelo verdadeiro amor.

O assédio das maduras (Lorena e Raquel, da personagem de Helena Ranaldi) aos garotões vai apimentar a história. Mas os romances anunciados - de mulheres mal-amadas por namorados do passado, de doidivanas que tiram a roupa por causa de padre e entre adolescentes - é que realmente vão fazer funcionar o motor da trama.

Uma observação: quem disse aos figurinistas que vestidos sem ombro são chiques? Christiane Torloni e Suzana Vieira bem que podiam ser poupadas de tamanha breguice na estréia."

 

Artur Xexéo

"Primeiro capítulo ainda rende", copyright O Globo, 23/02/03

"Já se disse que o Brasil tem 160 milhões de técnicos de futebol. Eu acrescento: e 160 milhões de especialistas em telenovelas. Alguns destes 160 milhões me escreveram nos últimos dias para comentar a coluna sobre o primeiro capítulo de ‘Mulheres apaixonadas’. Com adendos, é claro.

‘O senhor esqueceu de dizer que, no primeiro capítulo, Manoel Carlos já tocou no assunto que ele se propôs nessa novela: os maus tratos sofridos pelos idosos’, afirma Claudio Palmeira.

Imagino que o leitor Palmeira só tenha me chamado de senhor para deixar claro que a novela era sobre a terceira idade. Mas ele está certo. A escalação de Carmen Silva e Oswaldo Louzada é emocionante.

Teve gente que não gostou. ‘Longo e tedioso capítulo’, avaliou Rita de Cássia Gonçalves. ‘Parecia meio de novela, quando enrolam até não poder mais. Tem cabimento colocar no ar todo velório, enterro, casamento, com imenso sermão dos padres? Fora o balde de água que atiraram em José Mayer num dia ensolarado! E fez-se a chuva mais falsa do mundo! Sem que ninguém tirasse os óculos escuros. No velório falavam do casamento e no casamento falavam do velório. Assunto para animar uma festa chata com personagens previsíveis? Tinha gente demais. Não deu para entender a história nem o que cada um quer da vida.’

Rita tem um pouco de razão - os sermões foram longos demais mesmo - e muito de implicância.

O leitor André Bertrand cita Joãozinho Trinta para dizer por que gostou. ‘Quem gosta de pobreza é intelectual’, concorda e acrescenta: ‘Que cortiço sépia o quê...’ Acho que esse negócio de cortiço sépia é uma referência a ‘Esperança’. Mas Bertrand continua: ‘O negócio é luxo, carro importado e banheira de espuma. Se você viu o segundo capítulo, deve ter notado o cenário do apartamento da candidata a professora de educação física Helena Ranaldi. Tá ganhando beeeeem!!!!’

A maioria discorda de meu entusiasmo com a novela e até de minhas poucas críticas: ‘Você disse que o Rodrigo Santoro ainda não teve um bom papel em novela’, recorda-se uma certa Maria Cecília. ‘E precisa? Basta a presença dele na telinha. Por mim, ele pode entrar mudo e sair calado. Eu só estou vendo a novela por causa dele.’ Bem, pelo menos a Maria Cecília me chamou de você. Ela não se liga na trama da terceira idade. Está mais preocupada com o núcleo jovem.

Agora quem escreve é Gabriel Marques: ‘Mulheres apaixonadas’ começou com a velha e surrada apelação para a nudez, para atrair audiência. E o que dizer das ‘coincidências’ até agora entre a história criada por Manoel Carlos e a trama do seriado ‘Everwood’, do Warner Channel?’ Só posso dizer o seguinte: até hoje, não conhecia uma só pessoa que assistisse ao seriado ‘Everwood’. Na verdade, não fazia idéia de que existia um seriado chamado ‘Everwood’.

Além disso, a novela já está no capítulo 6. É completamente ultrapassado a gente continuar discutindo o primeiro capítulo. E podem falar mal o quanto quiserem. Com Manoel Carlos, as novelas são mais cariocas. E eu sou mais feliz.

***

Passo a palavra ao secretário de estado de Ação Social, Fernando William, que quer responder nota recente do colunista:

‘Eu sei que o senhor não gosta da governadora. Até aí tudo bem. Fica por conta do narcisismo de intelectuais que se julgam o máximo e acham feio o que não é espelho seu, mesmo que seja de mais da metade da população do Rio que a elegeu no primeiro turno.

Se o preconceito lhe faz crítico, tudo bem. A crítica é fundamental para quem está na vida pública. Agora, critique com base em dados corretos. Quando diz que a governadora não paga a dívida com a União e nem os servidores, o senhor faz uma confusão elementar. Quem não pagou a dívida, atrasou o salário e não pagou o 13º do funcionalismo foi a ex-governadora Benedita da Silva, do PT.

A dívida com a União tem sido paga com o confisco de repasses do ICMS do Estado. Já o salário de dezembro dos servidores - cuja verba não foi deixada pela ex-governadora - foi pago em janeiro, e o de janeiro, em fevereiro, dentro de um cronograma preestabelecido pela atual governadora.

Quanto ao cheque-cidadão, de cujo programa sou o atual responsável, é pago com recursos de um fundo específico para investimentos no combate à pobreza e às desigualdades sociais. Ou seja, são recursos carimbados que não podem ser utilizados no custeio de pessoal.

A governadora está apenas há 50 dias no cargo. A maior parte deles dedicada a resolver problemas deixados pela administração anterior. Ainda assim, ela lançou a campanha em defesa de uma refinaria de petróleo em nosso estado, retomou diversos projetos que estavam parados por falta de recursos e está pagando o salário dos servidores, apesar de toda a pressão que não vinha ocorrendo antes, como o citado bloqueio de ICMS.

Não é por nada, não, o mínimo de bom senso e responsabilidade com o estado deveria mobilizar todas as forças possíveis, inclusive os meios de comunicação, para encontrar soluções e não para se fazer julgamentos precipitados e preconceituosos, que haveremos de contrariar no devido tempo.’"

 

REALITY SHOWS
Rodrigo Rainho

"‘Crime’ terá 12 concorrentes-investigadores e estréia em maio", copyright Folha de S. Paulo, 23/02/03

"QUANDO terminar o ‘Big Brother Brasil 3’ a TV Globo deverá colocar no ar o ‘reality show’ ‘Crime’, nas noites de domingo, em maio.

Inspirado no original ‘Murder In Small Town X’, da Fox, o programa reúne 12 participantes que tentam desvendar um crime fictício. ‘Segue a linha ‘Quem matou?’. Serão apresentados os suspeitos, e caberá aos concorrentes identificar o assassino’, diz José Bonifácio de Oliveira (Boninho), diretor de núcleo da Globo e responsável pelo projeto.

O sucesso de ‘Murder...’ nos Estados Unidos e na Inglaterra animou o diretor. Segundo ele, o novo formato é uma mesclagem de ‘reality’ e dramaturgia. ‘Já estávamos criando um formato misto. O ‘Murder’ será um excelente piloto nessa linha’, diz Boninho. ‘É uma história sem texto. São atores e pessoas normais interagindo. Não é uma gincana.’

A emissora deve ainda reeditar o ‘No Limite’, competição em que um grupo enfrenta provas de resistência e os percalços da convivência em lugar isolado. A gincana voltará ao ar reformulada, possivelmente no segundo semestre, com provas mais radicais e dinâmicas, segundo Boninho.

Até o título do programa poderá ser alterado. O objetivo do diretor é levá-lo a diversas regiões do Pantanal. ‘Os canais estão descobrindo que podem diversificar. O ‘reality show’ é mais um produto, não substituirá a novela.’

Aposta-se na longevidade do ‘reality’ dentro da emissora. Entre as estratégias para manter o público, Boninho enumerou algumas -se colocar na posição dos participantes e antever comportamentos; entender o funcionamento do grupo; apresentar a coletividade e, depois, cada personagem; evitar ‘bois de piranha’ (participantes excluídos pelas panelinhas)."


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