ESTÉTICAS & POÉTICAS

Novos olhares sobre a prática comunicativa

Por Paula Roberta Santana Rocha em 18/06/2013 na edição 751

Poéticas da Mídia: midiatizações, discursividades, imagens, Goiamérico Felício C. dos Santos e Tânia Márcia Cezar Hoff (orgs.), 2012

Foi lançado em maio de 2013, na VI Feira de Comunicação e Informação da Universidade Federal de Goiás, o livro Poéticas da Mídia: midiatizações, discursividades, imagens, organizado pelos professores Goiamérico Felício C. dos Santos, da Universidade Federal de Goiás, e Tânia Márcia Cezar Hoff, da Escola Superior de Propaganda e Marketing de Goiânia, Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia, 2012. Fruto de cooperações entre professores e pesquisadores de diversas instituições acadêmicas, a obra traz novas e interessantes perspectivas teóricas ao campo da Comunicação, principalmente no que concerne às novas enunciações poéticas e linguagens das mídias, revestidas pela estetização e pela poetização.

Novas hipóteses interpretativas são aludidas nos doze textos que compõem a coletânea. As linguagens que compõem as mídias podem ser consideradas o maior objeto de estudo destes textos, que buscam delinear cartografias que ressignifiquem as novas existências ancoradas nas novas experienciações estéticas, que se desdobram em experienciações poéticas.

Obviamente, em cada um dos textos poderíamos fazer uma análise, pois cada um apresenta diferentes eixos e posições teóricas. Por ora, é mister uma análise mais abrangente e sintética da obra.

Linguagem, comunicação e sensação

A nova realidade que vivenciamos exige novas interpretações que deem conta de compreender, pelo menos em parte, os sentidos que permeiam nossas existências. Entendendo que o próprio ato comunicativo apresenta-se num cruzamento das esferas poéticas e estéticas do Ser, não há como duvidar sobre a importância das práticas midiáticas em nossa contemporaneidade, nem como estas encontram-se envolvidas na manifestação do sensível. Isto significa dizer que o ato da comunicação não se restringe apenas à manifestação do logos, mas também à manifestação de afetos, emoções, sensações – a comunicação seria o resultado da dialética entre o objetivo e o subjetivo, que gera aquilo que se denominou chamar de intersubjetividade.

“Com a intensificação do uso de dispositivos tecnológicos, novas linguagens e novas cognições ensejam diferentes estetizações em variadas enunciações que perfazem os discursos da mídia” (prefácio). Nesse sentido, não há como desvencilhar a linguagem da comunicação, nem esta do sensível, pois é através destas três esferas que nossa percepção da realidade é construída. É com a linguagem que percebemos o mundo, a própria essência do processo comunicativo está intrinsecamente ancorado na linguagem.

Osaber e a racionalidade instrumental

Se tomarmos o conceito de estética em sua origem etimológica, a do grego aisthesis (como uma sensação causada pela percepção sensorial, através de um estímulo externo) poderemos perceber como nossa época atual define seu modo de ser. A estética é a leitura do mundo que fazemos através de nossa sensibilidade. “O mundo é minha representação”, como já dizia Schopenhauer, representação pela qual faço através de minha sensibilidade. Portanto, se a minha realidade é construída através de minha percepção sensível, é através da comunicação, da interação contínua, que essa realidade se fará – então, nada mais clarificador que afirmar que nossa existência também se dá pela comunicação.

Portanto, o lançamento deste livro se dá num momento mais que oportuno para a contribuição e o desenvolvimento das pesquisas científicas no âmbito da Comunicação no Brasil e demonstra mais uma vez o quanto pode ser frutífera as parcerias de cooperação acadêmica entre pesquisadores das mais variadas instituições do país. Além disso, como nos apontam os organizadores, a proposta por uma nova compreensão acerca das epistemologias, da ciência e seus objetos no panorama histórico atual, trata não só de dissolver com as velhas dicotomias que marcam historicamente os campos científicos, mas também de esclarecer que o saber, a inteligência e o conhecimento não dependem apenas da racionalidade instrumental para se efetuarem.

***

Paula Roberta Santana Rocha é jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás

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