SBT

O sucesso meteórico de ‘The Noite’

Por Genisson Santos em 18/03/2014 na edição 790

Mesmo antes de sua estreia oficial no SBT, Danilo Gentili, de 34 anos, já dava sinais de que não seria apenas mais uma mera contratação de Silvio Santos. E quando entrou no ar pela primeira vez, com seu excêntrico The Noite, na segunda-feira (10/03), superou todas as expectativas. E o segredo do sucesso está na qualidade.

Para dar o pontapé inicial, Danilo Gentili surpreendeu invadindo o palco do Máquina da Fama, programa de Patrícia Abravanel que entrega o horário para seu talk show às segundas. Na sequência de cenas Gentili passa pelos corredores do SBT e invade quase todas as atrações da casa em busca de sua trupe amalucada. Da novelinha Chiquititas ao Programa Raul Gil e Casos de Família. Nem o Ratinho ficou de fora. O músico Mingau encarava o teste de DNA quando foi arrancado do palco pelo líder Danilo. E assim começou o primeiro The Noite.

Com humor afinadíssimo, excelente roteiro, boa produção, sincronia, genialidade e sem poupar alfinetadas – inclusive à antiga casa e colegas de trabalho, como o locutor Marcelo Mansfield, que optou por continuar na Band –, o humorista acerta mais uma vez a receita capaz de prender o telespectador em frente à TV. E conseguiu o que alguns talvez duvidassem: se reinventar e criar um programa ainda melhor do que o seu antigo Agora é Tarde. Apesar das incômodas variações de horário (o programa nem sempre começa exatamente à meia-noite), The Noite está fazendo nossas horas de sono “perdidas” valerem muito a pena. Apenas em sua primeira semana o programa já caiu no gosto do público e é febre nas redes sociais. Os índices de audiência são respeitáveis.

Lobão classificou como “lixo”

De acordo com dados do Ibope, o talk show estreou na vice-liderança absoluta, com 6 pontos, contra 2,1 da Record e 1,7 da Band. A boa audiência foi mantida na terça-feira (11/03), com a presença da cantora mexicana Dulce María. Com a participação da jornalista Rachel Sheherazade, âncora do SBT Brasil, a terceira edição do programa bateu recorde de audiência, com 7 pontos e 10 de pico. Cada ponto equivale a 65 mil domicílios na Grande São Paulo. A atração chegou a vencer a toda poderosa Globo, que exibia o Jornal da Globo, liderando por quase 30 minutos. Esta é a prova que não é só baixaria que dá audiência.

O sucesso de Danilo Gentili e seu The Noite está na fórmula. O programa é leve, descontraído, inteligente, engraçado e, olha, quem diria: possui classificação “L” – livre para todos os públicos. Para quem não sabe, a classificação indicativa visa a informar o telespectador a que público a atração é recomendada ou não. O trabalho é feito pela Secretaria Nacional de Justiça (SNJ), ligada ao Ministério da Justiça. Este pode ser considerado um fato irrelevante, mas não é. No contexto do programa significa dizer que, para ser engraçado, não precisa ser apelativo.

E a comparação entre Danilo e seu sucessor no Agora é Tarde, Rafinha Bastos, é inevitável. Apesar da boa estreia dias antes de Gentili, Rafinha vem apresentando um programa completamente sem graça, sem criatividade, apático, morno. E isso se reflete na audiência. No horário a Band vem apresentando índices pífios, não ultrapassando os 2 pontos. O Agora é tarde chega a colar na Rede TV!. O tom mais comedido de Bastos, reflexo do trauma de sua última demissão da própria Band, tem irritado até mesmo os convidados. O roqueiro Lobão, depois de participar da edição de número 2 do novo Agora é tarde, disparou no Twitter que o apresentador havia feito um “peido” de entrevista e classificou o programa como “lixo”.

“Deixei tudo na mão dos meus advogados”

Talvez não seja para tanto, Lobão, mas realmente o apresentador tem deixado a desejar. O humorista está engessado e o programa desinteressante. Só se salva o Passou na TV, tradicional quadro que mostra curiosidades e bizarrices da telinha. Esteticamente, o novo Agora é Tarde está feio. As cores escolhidas dão um ar rabugento ao programa. Sem falar no sofá horroroso! A identidade visual também não caiu bem. Ao contrário do The Noite. O novo late show do SBT tem um ar jovial, sofisticado, elegante.

Resguardadas as devidas proporções, as cores, o cenário amplo e com a imagem de uma metrópole que nunca dorme ao fundo, dão ao programa ares estadunidenses e lembra expoentes do gênero como o lendário The Tonight Show, da NBC, no ar desde 1954 e que já foi apresentado por nomes como Johnny Carson, Jay Leno, hoje comando pelo espetacular Jimmy Fallon. O estilo remete também ao Late Show, da CBS, do brilhante David Letterman. Este tipo de programa, sucesso na TV estadunidense e em alta no Brasil, está inserido no late night, variação do talk show.

Mas nem tudo são flores para Danilo Gentili. A Band declarou guerra ao comediante. A emissora do Morumbi ainda não se conformou com sua saída e busca na justiça medidas contra a quebra de contrato. Fora do palco, Gentili evita entrar em polêmica com a ex-casa. Questionado pelo repórter Nilton Carauta, d’O Globo, sobre o caso o comediante respondeu: “Deixei tudo na mão dos meus advogados. Tudo mesmo! Incluindo seis meses de salários para pagar os honorários deles.”

Luta invisível

A Band chegou a entrar na justiça para tentar obrigar o apresentador a reassumir seu posto no Agora é Tarde. A Justiça paulista, claro, negou o pedido absurdo. Em sua decisão, o magistrado Henrique Maul Brasilio de Souza, da 18ª Vara Cível de São Paulo, declarou que o Poder Judiciário não pode obrigar o humorista a prestar uma atividade material contratada.

Ao protocolar a ação judicial, talvez os executivos da emissora tenham se esquecido de que não estamos mais em uma ditadura militar. Um artista não pode ser obrigado a fazer algo que não quer a base do chicote. Ser humano não é objeto ou máquina.

Com o The Noite, no ar a briga continua. Na terça-feira (11/03), a Band chegou a confirmar a cantora Dulce María, ex-RBD, como convidada de Rafinha Bastos. Segundo contam as más línguas, o objetivo era esvaziar a entrevista do ex-funcionário, que também recebera a cantora em seu programa no mesmo dia. A emissora desistiu de última hora, substituindo a mexicana pelo cantor Latino e Dulce María apareceu apenas no The Noite.

Esta me parece uma guerra inútil e completamente perdida para a emissora dos Saads. É muito pouco provável que Gentili, como um bom filho pródigo volte aos braços de sua progenitora. Muito menos que ele abra mão de sua nova atração no SBT por remorso de sua “traição”. A Band parece travar uma luta invisível. Como Dom Quixote de La Mancha, que do alto do seu cavalo e no ápice de seus devaneios de cavaleiro andante, lutou com lança de pau contra moinhos de vento.

***

Genisson Santos é jornalista e comunicólogo

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 Ygor Maranhão
 Enviado em: 20/03/2014 21:59:04
O autor do texto se diz comunicólogo e não sabe a diferença entre "dá" e "dar". Triste ver que a queda na qualidade dos textos se repete também neste observatório.
 Claudio Gonzalez
 Enviado em: 24/03/2014 18:58:48
Isso é um artigo ou um release da assessoria de imprensa do Gentili? Estranho ver um texto tão cheio de adjetivos e elogios efusivos em um espaço como o Observatório. Estranho e lamentável.

Genisson Santos

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