Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

OBSERVATóRIO DA IMPRENSA / 20 ANOS > Depoimentos de quem fez a história do OI

Um país que espelhe a imprensa!

Por Carlos Vogt em 06/04/2016 na edição 897

A criação do Labjor, em 1994, foi um acontecimento marcante sob, pelo menos, dois pontos de vista.

Carlos Vogt, linguista, poeta, professor da Unicamp e um dos fundadores do Observatório da Imprensa

Carlos Vogt, linguista, poeta, professor da Unicamp, criador do Labjor e um dos fundadores do Observatório da Imprensa

Institucionalmente, porque permitiu que a Unicamp inaugurasse um programa de jornalismo que, dada as características com que vinha proposto, não só era novo na universidade, como também no cenário dos cursos de jornalismo que se ofereceriam pelo país.

Pessoalmente, porque, para mim, que terminava o mandato de reitor, as perspectivas que se abriam com o novo desafio e a oportunidade de trabalhar na implantação do projeto com o jornalista Alberto Dines punham adrenalina na vontade da retomada integral da vida intelectual e acadêmica.

Esses dois aspectos vinham ainda desdobrados em outros, constitutivos também do elã da construção do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, entre eles o criticismo com que Dines pontuava os conteúdos e as formas das iniciativas que, então, discutíamos e que, com zelo e diversão, implementávamos.

O lançamento do projeto foi em grande estilo. Do dia 12 ao dia 14 de abril de 1994, fizemos o evento fundador do Labjor, reunindo, além de grandes nomes do jornalismo e das empresas de comunicação, estudantes, estudiosos, críticos, leitores e interessados, em geral, em debater o tema da “Imprensa em Questão”.

Nos 20 anos do Labjor, em 2014, o evento comemorativo reuniu novamente os protagonistas dessa aventura intelectual sob o mesmo tema, agora em espelho, da “Questão da Imprensa”.

Lá estiveram Dines, José Marques de Melo, que, mesmo não podendo ir, lá estava presente, e todo o pessoal que participou dessa história, que dela faz parte, e que, em grande parte, a escreveu e a tem escrito: Mauro Malin, Luiz Egypto, Carlos Eduardo Lins da Silva e Eugenio Bucci, entre outros.

Falo do Labjor para, na verdade, falar do Observatório da Imprensa, criado pouco depois, em 1996 e cujo primeiro número da versão online foi publicado em 1º de abril daquele ano. Em maio de 1998, viria a versão televisiva e em também em maio, agora de 2005, a versão radiofônica.

O Labjor não só foi o berçário e abrigou o Observatório nos primeiros anos, como foi impregnado pela militância intelectual e institucional que o caracteriza desde as origens e cujo ator incansável, inteligente, culto, sagaz, versátil e polêmico é Alberto Dines.

A história do Labjor até aqui pode ser dividida em dois períodos: o primeiro vai de sua fundação até o final dos anos 1990, marcado pelos ideais do media criticism que pautam e desenham o Observatório da Imprensa, cujo abrigo institucional passa para o Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo, cuja criação se dá em 2001; o segundo período inicia-se com a obtenção pelo Labjor do apoio do Pronex – Programa Nacional de Excelência – a um projeto de jornalismo e divulgação científica, em 1997, com vigência a partir de 1998, que irá configurar o atual perfil do Laboratório voltado ao ensino, à pesquisa e a atividades de extensão com foco nos temas ligados à comunicação da ciência e à cultura científica.

Num período e noutro, permaneceu como substrato definidor da identidade do Laboratório o aprendizado que a convivência com o Observatório da Imprensa possibilitou e imprimiu às ações praticadas. Num período e noutro, ao longo dessas duas décadas, o Observatório nos ensinou, e com ele queremos ter aprendido, aquilo que se consubstancia e objetivamente se expressa nas palavras do mestre Alberto Dines, seu idealizador, autor, ator e protagonista:

“A imprensa é o espelho do país, mas, como todos os espelhos, é um instrumento polido e trabalhado para que possa representar não só a imagem daquilo que está refletindo, mas aquilo que o objeto gostaria de parecer.

A imprensa não deve ser reprodução exata do país que a produz.

Tem de ser melhor – para servir de estímulo e fornecer os desafios.”

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