Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

OBSERVATóRIO DA IMPRENSA > O desafio da sobrevivência II

Um novo pacto entre o Observatório e seus leitores

Por Carlos Castilho em 08/08/2016 na edição 915

O Observatório da Imprensa precisa de você para que nossos leitores possam continuar “lendo jornais de um jeito diferente”, conforme promete o nosso slogan criado há 20 anos.  Precisamos de sua colaboração financeira porque a conjuntura econômica mundial e nacional já não garantem a nossa sobrevivência segundo o modelo tradicional baseado em grandes doações, publicidade e projetos financiados. Nós precisamos de você da mesma forma que você precisa de nós para conseguir sobreviver na selva informativa em que estamos imersos.

Precisamos que você nos ajude para que possamos ajudá-lo. É um novo pacto entre nós e o nosso público.


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Esta nova situação, responsável por nosso apelo dramático por ajuda, não surgiu por acaso. Ela é o resultado de um longo processo como mostramos a seguir:

Até bem pouco tempo atrás, os jornais lucravam usando a preocupação do público em saber o que estava acontecendo para vender publicidade às empresas e órgãos públicos.  Quase 80% da receita de um jornal vinha de anúncios, mas este atraente negócio entrou em colapso quando surgiu a internet que gerou uma migração dos anunciantes para o ambiente virtual, ao mesmo tempo em que o público passou a trocar a imprensa paga pelo noticiário grátis online.

Este foi o começo de uma gigantesca transformação em todo o sistema de comunicação jornalística do planeta, começando pelos veículos comerciais para atingir logo em seguida o sistema público de informação e as organizações não lucrativas, fundações, ONGs e cooperativas focadas no jornalismo em suas várias modalidades.

Este processo está atingindo agora também o Observatório da Imprensa,  no momento em que completamos 20 anos de dura luta pela sobrevivência. Ao contrário das empresas comerciais de jornalismo, nós não temos patrimônio para tentar preservar, apenas uma história. Esta situação torna a continuidade do nosso projeto ao mesmo tempo mais fácil e mais difícil, dependendo da forma como vemos a situação. Mais fácil porque as duas décadas de observação crítica da mídia nos forneceram elementos para entender mais rápida e profundamente a natureza das transformações em curso no exercício do jornalismo, sem o peso da preocupação em preservar patrimônios e posições politicas. Mas ao mesmo tempo muito mais difícil porque o fato de não ter acumulado bens ou investimentos nos colocou numa posição de extrema vulnerabilidade financeira no contexto da sucessão de terremotos econômicos que afetam atualmente o conjunto da sociedade brasileira e mundial.

A sobrevivência de um projeto jornalístico voltado para a observação crítica da mídia envolve portanto uma trajetória onde a preocupação com a falta de dinheiro se alterna com a verificação de que nossa existência é cada vez mais uma condição necessária para que as pessoas consigam manter um mínimo de tranquilidade informativa no tsumani diário de notícias contraditórias, inexatas e duvidosas que circulam na internet.

Todas as transformações em curso na comunicação jornalística nos levaram à quase certeza de que está surgindo um novo pacto entre jornalistas e o publico. Nós, os profissionais, estamos deixando de ser os provedores exclusivos de informações para o público, que hoje pode escolher onde saber das coisas numa miríade de fontes noticiosas. Historicamente as pessoas foram educadas a encarar a imprensa comercial como a única fonte confiável de notícias. Esta crença está hoje seriamente abalada e no seu lugar surge a dúvida informativa e seus efeitos colaterais.

Como ler, ver e ouvir notícias

A imprensa não consegue mais dar conta sozinha de toda a diversidade, complexidade e dinamismo do universo noticioso contemporâneo.  Daí surge a necessidade de que a relação entre jornalistas e o público deixe de ser unidirecional, comercial e hierárquica para se tornar uma parceria, não monetizada e igualitária. Jornalistas e cidadãos podem produzir juntos as notícias que interessam ao conjunto da sociedade usando, como mediação, redes sociais não necessariamente iguais às existentes atualmente. E nesta transição de modelos de informação, instituições como o Observatório da Imprensa ocupam um papel crucial porque serão elas que em vez de dizer ao público o quê ler, ver e ouvir, dirão como ler, ver e ouvir notícias. É uma diferença sutil mas transcendental, que poderia ser comparada a velho dito: em vez de dar o peixe, ensinar a pescar.

O volume, diversificação e complexidade dos fatos, dados e processos cresceu de tal maneira com a avalancha informativa gerada pela internet que não há mais veículo jornalístico capaz de contextualizar ao mesmo tempo notícias internacionais, nacionais, locais e hiperlocais com o grau de detalhamento capaz de dar a cada cidadão os elementos para tomar decisões pessoais de acordo com a realidade onde vive.

O que se observa hoje é a tendência à segmentação informativa o que coloca o público diante de uma vasta série de opções noticiosas. A função do Observatório passou a ser a de ajudar as pessoas a desenvolver critérios sobre como escolher e avaliar os itens do mega cardápio informativo existente na internet. Trata-se de uma missão tão fundamental quanto a que assumimos 20 anos atrás, quando prometemos:  “você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito”.

Durante 20 anos nós conseguimos cumprir a nossa missão de ajudar as pessoas desenvolver uma visão crítica da mídia. Nosso trabalho sempre esteve apoiado num orçamento extremamente enxuto, mas agora a situação mudou.  As fontes que financiavam nossas atividades entraram em recessão e somos obrigados a dar um parada porque não temos mais recursos para financiar itens básicos para nossa sobrevivência como pagamento de hospedagem do site e salário do pessoal técnico.

A importância do Observatorio, como elementos indispensável à formação de uma opinião pública diversificada e não sectária, é reconhecida pelas 200 mil pessoas que acessam  o nosso site mensalmente. Ao decidirmos suspender temporariamente a atualização do nosso site, pretendemos mostrar aos nossos leitores e aos eventuais doadores, a gravidade do nosso dilema financeiro e deixar claro que não estamos jogando a toalha, mas sim mostrando que a saída deste impasse econômico somente acontecerá se houver um esforço conjunto de leitores, doadores e a equipe do Observatorio. Se você achar que nossa parceria deve continuar, clique aqui  ou entre em contato conosco pelo e-mail observatorio.doacões@gmail.com .

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Carlos Castilho é o editor do site do Observatório da Imprensa.

 

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