Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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OBSERVATóRIO DA PROPAGANDA > A ALMA DO NEGÓCIO

A crise e a hora do mea-culpa

Por Luiz Augusto do Carmo em 19/07/2005 na edição 338

Caros colegas publicitários, acho que o momento é propício para um mea-culpa de nossa categoria. Às vezes, inebriados pela névoa de purpurina e glamour que envolve nossa publicidade (claro que atinge mais o alto escalão), esquecemos os preceitos éticos básicos de nossa profissão, o senso crítico e social é anestesiado, a vaidade e a soberba assumem o primeiro plano. Quando isso acontece, o poder de julgamento fica alterado e passa-se a um estado quase que psicopatológico, em que as ‘falcatruas’ são executadas com a maior naturalidade, como se o dinheiro público em questão fosse algo subjetivo e etéreo e não saísse do nosso próprio bolso, do bolso da sociedade – que é quem possibilita a manutenção de nossa publicidade, consumindo, trabalhando.

Acho que devemos aproveitar o momento turbulento para fazer uma auto-análise e começar a pensar em nova escala de valores.

Aproveitando, a imprensa e os veículos de comunicação de modo geral também deveriam repensar seu trabalho através de uma ótica mais coerente, já que ‘adoram’ a ocorrência desses fatos, pois vendem muito mais, enquanto os telejornais aumentam sua audiência.

Banho de ética

O problema é que a maioria, senão a totalidade, apresenta uma distância enorme entre o que apregoa em seus textos jornalísticos e seu comportamento interno, sua política comercial. Explicando: jornais, revistas etc. denunciam ‘maracutaias’ (exceto as publicações ‘chapa- branca’, que ‘pegam leve’), pregam a ética, a honestidade, condenam veementemente a especulação de preços, a tributação excessiva (aliás, constitucionalmente gozam de benefícios fiscais) e a ‘maquiagem’ de preços. Muito bem, muito justo. Mas quando se trata dos interesses próprios, vale a regra do ‘faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço’.

Qual é o único cliente que paga preço de tabela pública aos veículos? O governo. O mercado todo recebe imorais descontos de 80%, 90% e às vezes 95%, essa é a pura verdade. Pergunta-se: por que a tabela de preços dos veículos apresenta estes patamares irreais? Será que é para vender ao governo? Ou eles têm medo de um congelamento? Só se for com o frio do inverno.

Por que será que eles brigam tanto entre si o ano inteiro – um é mais jornal, outro diz que não dá para não ler (só para ilustrar, pois eles não são os únicos não, isso é uma regra geral) –, mas, quando se trata de acordos para aumento de preços de veiculação, a velha oligarquia fala mais alto e reproduz exatamente o que os políticos fazem nos bastidores para aprovar projetos?

Realmente, e infelizmente, o Sr. Roberto Jefferson tem razão: não é só ele que deve ir para a cruz. A sociedade como um todo deveria aproveitar essa comoção geral e exigir um banho de ética geral.

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Publicitário (www.maiscomunicacao.com.br)

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