Terça-feira, 24 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº963

OBSERVATóRIO DA PROPAGANDA > MÍDIA E DEMOCRACIA

O marketing pré e pós-eleitoral

Por Walter Rossignoli em 09/01/2007 na edição 415

Esteve nas ruas e na mídia o espetáculo do marketing eleitoral. Nas ruas, muros eram pintados, casas exibiam faixas e banners, e os tradicionais santinhos completavam a festa da caça aos votos. Na mídia eletrônica, jingles, declarações de voto e promessas. As eleições acabam sendo um excelente mercado de trabalho para todos os envolvidos no processo de promover o candidato, desde o graduado marqueteiro ao humilde trabalhador informal, que retira algum rendimento nesse período de festa da democracia.

A maquiagem dos candidatos imposta pelos requintes do marketing torna o espetáculo da democracia mais sedutor, em que pese ao descrédito de que goza a classe política, principalmente devido à dissonância entre o discurso e a prática.

O risco que se corre, portanto, é sempre aquele de eleger, não o melhor programa de governo, mas o melhor programa de marketing, até porque as propostas são sempre muito parecidas. Nunca se vê um pretendente a cargo público que negligencie saúde, educação, segurança, transporte etc. O difícil é saber quem está com a verdade, pois até os mais politizados – aqueles que votam rigorosamente em partidos e candidatos com reconhecida história de vida – também se enganam e costumam manifestar seu mea-culpa público.

Horário eleitoral

No cenário pré-eleitoral, é curioso que nenhum político prometa algo simples de cumprir e benéfico para a população. Nunca se ouviu candidato a função executiva que, se eleito, prometesse zerar os gastos com publicidade que não impliquem utilidade pública ou retorno financeiro para a esfera administrativa a que concorrem. Promete-se investir nas necessidades básicas, mas não se compromete com o fazer puro e simples, sem alardes, sem publicidade. E muito se gasta com a promoção de homens públicos, o que é inconcebível e indefensável em um país de tantas carências.

Empresas privadas concorrem entre si e precisam de um mínimo de divulgação, sob pena de serem engolidas pelas concorrentes. Os ocupantes de funções executivas não precisam ostentar seus feitos antes do período legalmente destinado a campanhas, em que se poderão valer do horário eleitoral gratuito e de outras oportunidades oferecidas, sem ônus, pela mídia. A sociedade espera por políticos que se comprometam com a renúncia ao marketing pós-eleitoral.

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Licenciado e pós-graduado em Letras; autor de Português; teoria e prática (Editora Ática)

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