Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

OBSERVATóRIO DA PROPAGANDA > CAMPANHA DO BB

Se o banco é meu, é meu

Por Bruno Dias Franqueira em 06/02/2007 na edição 419

Li alguns artigos criticando a nova campanha do Banco do Brasil, aquela que tem como uma de suas ações de destaque a troca do nome do banco em suas fachadas por outros nomes. Achei a temática muito interessante e resolvi opinar. Em primeiro lugar, fiquei muito contente ao ver o Banco do Bruno, mesmo não sendo correntista do BB. Até por que numa questão quase semiológica, Banco do Brasil e Banco do Bruno formam o mesmo BB. Mas em seguida me bateu uma pontada de ciúmes em saber que o Banco também era da Flávia, da Alessandra e de tantos outros. Pensei comigo: ‘Banco do Bruno soa muito mais bonito e não quero ser cliente do Banco da Flávia. Não sei se ela vai saber gerenciar meu dinheiro e nem conheço a Flávia’.

Entendo os argumentos do diretor de marketing do BB quando diz que a intenção era fazer com que o cliente se sentisse dono do seu banco, pois são importantes para a instituição. Argumentos louváveis, até. Mas quem gostaria de dividir o que é seu com os outros sem se importar? Fora que o Banco da Maria, localizado em Goiânia, não serve de nada para a Maria que mora em Natal e não tem dinheiro sequer para pagar os juros do cheque especial. Outra coisa controversa, como pagar juros pra mim mesmo? Isto é um tanto incoerente.

Idéias mirabolantes não pagam

Como publicitário, sei que as idéias são normalmente baseadas em metáforas ou outras formas de analogia alicerçadas pelo discurso retórico da propaganda. E reconheço bem estes discursos na campanha citada. Mas se para mim, que entendo todos estes artifícios, esses e outros pensamentos afloram negativamente em relação a campanha, imagine o pobre Seu José que não pôde estudar sequer o ensino fundamental quanto mais semiótica ou análise do discurso?

Aprendi com o tempo e a experiência que campanha boa é aquela que traz retorno em dividendos para o cliente. E todo profissional de propaganda deve saber que em várias ocasiões as idéias mirabolantes servem apenas para ganhar um prêmio aqui e acolá. E que esse lance de imagem corporativa forte também pode ser um tiro pela culatra. Empresa com recall fantástico e sem dinheiro no caixa não leva ninguém a lugar algum, a não ser para o fundo do poço. As campanhas vêem seu sucesso no retorno financeiro que conseguem para o cliente. E a mensuração desta campanha virá depois para afirmar positiva ou negativamente este retorno.

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Publicitário e professor universitário, Vila Velha, ES

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