Domingo, 16 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Revolução Azul

Por Alberto Dines em 22/11/2011 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Uma revolução azul. A “Última Hora” foi um divisor de águas, a mais importante das revoluções que Samuel Wainer fez ao longo da sua vida. O semanário “Diretrizes”, lançado em seguida à instalação do Estado Novo, conseguiu o milagre de fazer um jornalismo político num ambiente onde a política estava banida.

O vespertino “Última Hora” antecipou os anos dourados de JK, combinou um jornalismo vibrante, popular, com sofisticação cultural, colocou Nelson Rodrigues ao lado de Vinicius de Moraes, uma dupla impossível e impensável. O grande triunfo deste repórter-estrela que tornou-se dono de uma cadeia de jornais, foi justamente a razão de sua queda: os barões da imprensa não queriam um intruso, sobretudo sendo filho de imigrantes judeus.

Graças a Wainer, Getúlio Vargas materializou o seu sonho de voltar à presidência, desta vez nos braços do povo. A entrevista em que se lançou candidato à sucessão de Gaspar Dutra foi concedida a Samuel ainda na condição de repórter do matutino “O Jornal”, de Assis Chateaubriand. Vargas ganhou a eleição de 1950, a despeito da ferrenha oposição da imprensa da capital e de São Paulo. Para não ser derrubado, precisava garantir ao menos uma parcela de apoio na imprensa.

Aí entra o gênio empreendedor de Wainer: com apoio do Banco do Brasil, monta rapidamente dois jornais, um no Rio e outro em São Paulo, e compra a Rádio Clube do Brasil. Não contava, porém, com a fúria de Carlos Lacerda, ex-amigo e ex-camarada, agora na extrema direita, que viu no sucesso do “Última Hora” uma ameaça ao seu próprio vespertino, a “Tribuna da Imprensa”, lançado dois anos antes. Com o apoio maciço da grande imprensa, Samuel sofre uma das mais sórdidas campanhas, quase perde o jornal. Dois anos depois, sitiado por esta mesma imprensa, suicida-se Getúlio Vargas.

Estamos a seis décadas deste episódio que marcou indelevelmente a história da imprensa e a história política brasileira. Agora é possível juntar os fios, fazer comparações, relacionar e entender o cenário, as forças e os personagens desta tragédia. Agora é possível entrever com mais nitidez este fabuloso mancheteiro, figura sedutora e também sufocadora, chamado Samuel Wainer, símbolo de um jornalismo de emoções e de inteligência do qual estamos irremediavelmente afastados.

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