Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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A cobertura da tragédia na Região Serrana

Por Alberto Dines em 01/03/2011 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Foi o segundo maior desastre já registrado no Brasil, com chance de se tornar o primeiro, considerado o número de vítimas, o sofrimento dos desabrigados, a comoção e as perdas materiais. A tromba d água que desabou sobre os municípios de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis a partir da madrugada de 12 de janeiro provocou um inédito movimento de solidariedade de toda a população. Recém-empossada, a presidente Dilma Roussef imediatamente deslocou-se para a região assolada e como uma série de medidas acionou os esquemas de assistência, reconstrução e prevenção.

Tudo isso aconteceu há exatas sete semanas e, mesmo que as consequências hoje tenham praticamente desaparecido do noticiário, a cobertura foi tão intensa, as imagens tão fortes e a destruição tão grande que o episódio dificilmente será esquecido. A grande imprensa, sobretudo as redes de tv, trouxeram a tragédia para dentro das casas do Brasil inteiro. Esta é a sua função, para isso dispõem de fabulosos recursos financeiros, técnicos e humanos.

Pouco se falou sobre o papel desempenhado pela mídia local da região serrana, os pequenos jornais comunitários, as emissoras de rádio, as repetidoras de tv, os serviços de alto-falantes, os sites, os blogs. Pouco se falou sobre o cidadão-repórter e o repórter-cidadão que, com precários celulares, webcams e tocados pela intensa ligação com a sua terra e a sua gente, cumpriram o doloroso dever de relatar o que acontecia sem abater-se.

Esta é a nossa pauta de hoje. Ao contrário dos Estados Unidos, onde a pujança da grande imprensa resultou de uma sólida rede de veículos comunitários, no Brasil a pequena imprensa é cada vez menor. O processo de concentração da mídia entre nós é avassalador – em todos os níveis mais especialmente no nível inicial onde a notícia significa sobrevivência.

O poder político não quer uma boa pequena imprensa, este é o problema. O poder político quer uma pequena imprensa efetivamente pequena, inofensiva, atrelada e submissa aos seus interesses. Os anunciantes locais não têm coragem para bancar um jornalismo independente, nem contrariar as autoridades. Preferem omitir-se.

A tragédia da região serrana do Rio nos mostrou que o sistema midiático é essencialmente pluralista, holista. A sociedade precisa tanto da agilidade e emoção dos pequenos veículos, capazes de antecipar e prevenir, como precisa das grandes empresas, capazes de repercutir e movimentar a esfera federal. Esta tragédia, se quisermos, pode nos levar a uma revalorização da brava pequena imprensa.

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