A farra da Copa | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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COBERTURA DA COPA 1998 * MEDICAMENTOS FALSOS * ERROS DA IMPRENSA (CNN)

A farra da Copa

Por Alberto Dines em 14/07/1998 | Programa número 011 | comentários

Depois da farra, a ressaca. Não compete a este Observatório discutir porque perdemos. O que temos discutido aqui é o desempenho da imprensa na cobertura da Copa.

Muito antes do fiasco de domingo batizamos esta cobertura como ‘a farra da Copa’ porque jamais se viu tanto jornalista cobrindo coisa nenhuma como desta vez. E na única ocasião em que a imprensa tinha obrigação de contar alguma coisa que não aparecia na telinha da Tv, falhou redondamente.


Repare que nas cinco horas que precederam o jogo, enquanto Ronaldinho e seus companheiros viviam aquele drama, as rádios e televisões estavam no ar fazendo um monte de prognósticos otimistas, inteiramente alheias ao que se passava. No máximo mencionou-se, pouco antes do início do jogo, o erro no preenchimento dos formulários onde Edmundo aparecia no lugar de Ronaldinho.


Só nos comentários da noite, depois do desastre, é que surgiram as primeiras informações sobre um impreciso mal-estar do jogador. A tal convulsão só apareceu efetivamente nos jornais de ontem, quase 24 horas depois.


Mais de 100 milhões de brasileiros acompanharam atônitos aqueles 90 minutos de jogo sem saber a verdade. E havia equipes com mais de 20 jornalistas. A nenhum deles ocorreu ficar por perto da concentração para saber como seriam aqueles últimos momentos antes da decisão. Claro, os jornalistas estavam muito ocupados: queriam ver o jogo, não estavam preocupados com os bastidores. Mas esta Copa foi perdida nos bastidores, enquanto duas centenas de jornalistas estavam interessados apenas em chegar cedo na tribuna da imprensa.


Nos jornais de hoje, começaram a aparecer as primeiras críticas ao desempenho da mídia. Um dizia que a imprensa fez o oba-oba, outro que a mídia eletrônica enganou a opinião pública, um terceiro acusou os comentaristas de não repararem nas deficiências da equipe depois de cada jogo.


Deveriam ter reparado nisso antes, quando ainda havia tempo para corrigir erros. Agora, quando já se fala em nomes da próxima comissão técnica e ninguém se lembra mais da grande devassa na CBF, vale a pena começar a ensinar jornalismo esportivo aos que em 2002 vão embarcar para a próxima farra.


Assista ao compacto desse programa em:
www.tvebrasil.com.br/observatorio/videos.htm

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