Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

GUERRA EUA x IRAQUE - MÍDIA E FILOSOFIA

A mídia no front

Por Alberto Dines em 25/03/2003 | Programa número 233 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


A Guerra está ocorrendo no Iraque, Oriente Médio, mas os campos de batalha estão em toda parte. Inclusive aqui. O fato novo desta Guerra é que a mídia transformou-se num front, virou notícia.


Hoje, terça-feira, nos quatro maiores jornais brasileiros, havia oito matérias sobre o comportamento da imprensa na cobertura do conflito. É um avanço extraordinário: quanto mais se discute a mídia, melhor será para a mídia. O que não é tão bom é que a mídia está discutindo a mídia com os mesmos engajamentos e preconceitos que condena nas outras esferas. Denunciar erros e vícios dos outros enquanto se cometem as mesmas manipulações, além da incoerência, gera uma perigosa confusão sobre o que é certo ou errado.


Este Observatório foi fundado no princípio de que o juízo mais importante sobre o comportamento dos meios de comunicação é dos que se servem destes meios, leitores, ouvintes, telespectadores. O cidadão é que deve ter a autoridade para dar a palavra final e não aqueles que estão sob observação. Se a mídia como instituição dispõe-se a desnudar-se é preciso também que saiba encarar outros tabus. Noticiar as manifestações pacifistas não é suficiente.


Mais importante do que mostrar as caras pintadas é desenvolver uma discussão permanente sobre a não violência. Assim como não se conquista a paz através da guerra, assim também não se combate a guerra com a guerra. Na história do pacifismo organizado que começou em 1914 nunca houve um movimento tão organizado como o de agora. E, no entanto, os governos beligerantes têm apoio majoritário das respectivas sociedades. O patriotismo, o nacionalismo e as ideologias aparentemente estão ganhando a guerra das emoções mesmo que nas ruas a causa pacifista seja a mais visível. Ontem no Rio de Janeiro, numa manifestação contra o conflito no Iraque, foram jogados três coquetéis molotov. Não houve vítimas felizmente mas quem saiu perdendo foi a causa da paz. Pacifismo pressupõe equidistância diante de um conflito. Se não queremos mais guerras, só se pode tomar partido a favor da não-violência.


Assista ao compacto desse programa em:
www.tvebrasil.com.br/observatorio/videos.htm

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