Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CASOS MURDOCH E EL UNIVERSO

A necessidade de (alguma) regulação para a imprensa

Por Alberto Dines em 26/07/2011 | Programa número 603 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

O diário espanhol El País publicou neste domingo uma enorme foto de Rupert Murdoch com o título "Cloaca e companhia". Exagero ou desabafo justificado de um dos mais respeitados jornais do mundo?

Para ser entendido e avaliado, o escândalo Murdoch precisa ser examinado com todos os seus desdobramentos. O crime dos grampos ilegais para produzir manchetes sensacionalistas é apenas a ponta do iceberg, há muitas outras infrações e imoralidades na esfera jornalística, política, ideológica e institucional que não podem ser desconectadas ou minimizadas.

Sem indagar de onde veio a força de Murdoch, é impossível verificar a gravidade de suas façanhas. Um conglomerado de porte médio não conseguiria a cobertura do governo inglês para fazer o que fez. E, para tornar-se um gigantesco conglomerado, foi preciso driblar a legislação. Sem o apoio do governo, Murdoch não conseguiria montar o seu império. E esta ponte governo-mídia foi construída graças à ideologia comum. Um governo conservador só permitiria o gigantesco crescimento de um grupo de mídia igualmente conservador.

Se não fosse imensamente poderoso, Murdoch não conseguiria paralisar a Comissão de Autorregulação da imprensa britânica. E, sem autorregulação, a imprensa impõe a lei da selva. Murdoch não é apenas conservador, é muito mais do que isso – ele defende posições de extrema direita que não são muito diferentes das posições do monstro de Oslo. A Fox News é a principal apoiante do Tea Party cujos delírios racistas e anti-socialistas são idênticos à paranoia do norueguês Anders Breivik.

A resposta aos abusos da imprensa veio do Equador com um abuso ainda maior contra a imprensa: um juiz substituto de Guaiaquil considerou injurioso ao presidente Rafael Correa um artigo em que seu nome sequer foi mencionado: o autor do texto foi condenado a três anos de prisão e o jornal pagará multa de 62 milhões de reais. A partir deste momento, a imprensa equatoriana perdeu sua independência, está ameaçada e amordaçada.

Estamos diante de um perigoso surto de barbárie, fomentado em grande parte pela mídia. E a mídia deveria ser o principal instrumento para impedir a barbárie.

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