Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

CORRESPONDENTES DE GUERRA

A rotina da cobertura no front

Por Alberto Dines em 13/09/2011 | Programa número 610 | comentários

Los lectores pueden escribir a la Defensora del Lector por carta o correo electrónico (defensora@elpais.es), o telefonearle al número 91 337 78 36.

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

A ideia de que o jornalismo é a última profissão romântica infelizmente ficou superada pelo modelo de negócio adotado pela grande imprensa. Com a profusão de conflitos bélicos e a facilidade para cobri-los, em todos os cantos do planeta, estamos agora diante de outra ilusão: a de que o correspondente de guerra é o único que na redação tem oportunidade para viver grandes aventuras e bravuras.

Em primeiro lugar, é preciso registrar que esta aura de heroísmo que ainda envolve as guerras é a grande responsável por sua imagem enganosa e triunfalista. Guerras não são charmosas, são sujas, infames, produzem mais dor do que fervor, tanto para vencedores quanto para perdedores. Não existem guerras sem mortes, sem sangue, sem dor, sem luto.

A defesa da sociedade contra o narcotráfico ou gangues corruptas pode exigir mais bravura do que enfiar-se numa trincheira ou correr das balas ou mísseis disparados de um ponto situado a quilômetros de distância.

Pouco adianta mostrar ao público tanques em chamas, guerreiros correndo com armas na mão, metralhadoras pipocando, jatos em voos rasantes, feridos pedindo ajuda, mães chorando. O leitor, ouvinte ou telespectador, antes de tudo, quer saber por que os homens estão se matando em vez de sentar para negociar.

Cobrir guerras não é o lado mais empolgante do jornalismo. Explicar contenciosos e, sobretudo, não alimentar rancores é missão muito mais heroica. E só jornalistas podem desempenhá-la.

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