Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

LIVRO STEFAN ZWEIG

Brasil, país do futuro

Por Alberto Dines em 17/01/2012 | Programa número 607 | comentários

 

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Quando chegou ao Brasil estava no auge da fama: escritor vivo mais traduzido e mais adaptado para o cinema. As biografias lhe valeram o título de “caçador de almas”. Ninguém desconfiava que, na realidade, Stefan Zweig era um caçador de utopias.

Poeta em busca de um mundo melhor: desiludido com a União Soviética, detestava o materialismo americano e estava horrorizado com o terror racial nazista que se espalhava pela querida Europa. A América do Sul era a sua esperança e agarrou-se a ela no primeiro rincão que visitou: o Brasil.

Ainda em 1928 planejou visitar a Argentina pelo Zeppelin e de lá vir ao Brasil. Quatro anos depois tentou novamente, mas a subida de Hitler ao poder obrigou-o a desistir. Em 1936, recebeu um convite para um congresso de escritores em Buenos Aires. Aceitou, mas antes fez uma escala no Brasil. Amor à primeira vista: em agosto de 1936 começou o capítulo brasileiro na biografia de Stefan Zweig que se estenderá pelos próximos seis anos até a sua morte, em Petrópolis.

Antes de embarcar para Buenos Aires prometeu que seria o camelô do Brasil na Europa e logo voltaria para escrever um livro sobre o país que o recebeu com tanto entusiasmo. Voltou em agosto de 1940 afugentado pelo medo de que as tropas de Hitler logo ocupassem a Inglaterra onde se refugiou.

Há exatos 70 anos, em agosto de 1941, lançava o seu “Brasil, um país do futuro” em seis idiomas e sete edições quase simultâneas. Aqui foi um sucesso de público. Os leitores encantaram-se com o encantamento do ídolo literário pelo Brasil. A imprensa foi implacável. A ditadura do Estado Novo impusera um drástico sistema de censura e auto-censura e, como represália ao governo Vargas, alguns críticos arrasaram o livro que supunham ter sido financiado pelo DIP. Os críticos confundiram a admiração pelo povo brasileiro consignada em cada linha com elogio ao governo do Brasil. Mais uma vez não leram e não gostaram. Não foi a primeira nem a única vez em que a imprensa movida pelas melhores intenções faz o linchamento de um inocente. O que não impediu que nas décadas seguintes o qualificativo “país do futuro” se transformasse no sobrenome do Brasil. Ora como profecia, ora como maldição, ora como projeto de potência, ora como fracasso político. Quando esteve no Brasil, o presidente Barack Obama fez dois discursos. E em ambos repetiu a metáfora do “país do futuro”, agora atualizada com outro qualificativo – país do presente.

 

Programa exibido em 23/08/2011, reapresentado em 17/01/2012.

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