Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

GAROTINHO x CARTA CAPITAL

Censura

Por Alberto Dines em 21/05/2002 | Programa número 197 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Você sabe, este programa não trata de política e de políticos, nem se envolve com eleições ou candidatos. Tratamos da imprensa, seu desempenho e a sua defesa. Hoje somos levados a contornar nossas normas porque um pré-candidato à presidência da República transgrediu flagrantemente um de nossos postulados, a defesa da liberdade de informar. Não podemos contar a história sem mencionar o nome, não podemos dizer que ‘alguém’ censurou a revista Carta Capital e que ‘alguém’ revela-se inteiramente despreparado para presidir uma nação democrática. É preciso dar o nome aos bois porque outros pré-candidatos denunciados pela imprensa jamais tentaram qualquer tipo de cerceamento.


Anthony Garotinho em julho passado impediu que o Globo prosseguisse com uma série de reportagens sobre seus negócios particulares e de sua mulher, Rosinha Mateus. Neste Observatório temos condenado o jornalismo araponga, baseado na mera transcrição de fitas ou grampos feitas por terceiros. Aliás fomos os únicos a denunciar este jornalismo marrom. Mas aquela matéria, ao contrário, foi um legítimo trabalho investigativo que confirmou o teor de fitas. Tratamos aqui do assunto porque não poderíamos assistir em silêncio a esta violência.


Um ano depois, já não mais governador mas candidato a ocupar a chefia de um estado democrático, Anthony Garotinho ataca novamente a liberdade de informar, agora contra o semanário Carta Capital dirigido pelo jornalista Mino Carta. Amparado por uma decisão judicial relembrou a abominável censura prévia impedindo que a revista publicasse no último fim de semana uma reportagem, efetivamente investigativa, confirmando o que já havia sido iniciado pelo Globo.


Aqui não podemos esquecer o outro compromisso deste Observatório: examinar o desempenho da mídia. Junto com o protesto contra a violência cometida contra Carta Capital é preciso registrar outra violência, esta passiva mas não menos condenável cometida pela mídia brasileira que, com a única exceção de o Globo, tratou o episódio de maneira distante e burocrática, como se não fosse com ela. Esqueceram-se os omissos de hoje que amanhã eles poderão ser as vítimas do mesmo arbítrio. Então poderá ser tarde.

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