Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

MEDIÇÃO DA NEUTRALIDADE DA IMPRENSA

Cobertura Ideal

Por Alberto Dines em 24/09/2002 | Programa número 215 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Você certamente já reparou que alguns candidatos quando não vão bem nas prévias colocam a culpa na mídia. Tornou-se uma espécie de bordão eleitoral preocupante se fosse verdade mas muito grave justamente porque a cobertura da imprensa nestas eleições está alguns pontos acima das anteriores.


A cobertura ideal não existe, assim como também não existe uma imparcialidade absoluta, uma neutralidade absoluta, uma isenção absoluta e uma objetividade absoluta. São avaliações subjetivas que, se por um lado, não podem ser quantificadas também não podem ser consideradas estaticamente. Assim como não existe verdade única, pronta, mas sim a busca da verdade, assim também não existe uma isenção acabada.


O que importa é uma atitude de busca permanente, desde que explicitada claramente, mostrando que apesar das sucessivas edições de um veículo, sua disposição é de manter-se alerta para alcançar uma cobertura equilibrada, eqüânime e equidistante.


Um dos melhores sinais da evolução positiva da cobertura eleitoral é que a própria mídia discute-a aberta e francamente. Na Folha há três domingos seguidos o seu ouvidor discute com outro editor se as suas críticas são justas ou infundadas. O jornal expõe-se e com a discussão admite que eventualmente podem ter ocorrido distorções. As tentativas de quantificar em rankings a parcialidade ou imparcialidade dos jornais, tem um lado positivo – mostra o empenho em chamar a atenção do leitor-eleitor para uma questão crucial, embora parta do princípio errôneo de que tudo pode ser medido mesmo as subjetividades.


Mas o fato primordial que distingue estas eleições das anteriores é o papel da tv ao assumir plenamente suas responsabilidades como concessão pública. Este Observatório já dedicou inúmeras edições para criticar desempenhos da Rede Globo mas é indiscutível que a iniciativa de apresentar os quatro principais candidatos numa série sucessiva de entrevistas no seu principal telejornal com regras muito claras e perceptíveis criou novos paradigmas.


Quando se afirma que nunca houve uma sucessão presidencial com tamanha exposição dos candidatos e suas idéias fica evidente que a tv, como um todo, teve um papel fundamental. Quando dizemos que este Observatório não é um tribunal para julgar ou condenar estamos também dizendo que não nos cabe a tarefa de premiar ou galardoar veículos ou grupos. Se houve avanços efetivos – e isto só poderá ser verificado depois de encerrada a temporada – eles deram-se porque a sociedade brasileira está aprendendo a exigir. Exigir dos políticos, dos magistrados, dos empresários e sobretudo da mídia.


Assista ao compacto desse programa em:
www.tvebrasil.com.br/observatorio/videos.htm

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