Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

ATENTADO DIÁRIO DE MARÍLIA

Conivência, medo, omissão ou o pior, incompetência?

Por Alberto Dines em 20/09/2005 | Programa número 345 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Você viu nos telejornais de ontem, rapidamente, o motim na pequena Goianésia no Pará onde a população arrasou todas as instalações públicas da cidade. Nenhum dos jornais nacionais que circularam hoje em São Paulo destacaram na primeira página esta inédita ruptura da ordem. Não era importante, ou era longe demais.


Há 10 dias outro ineditismo: em Marília, a 400 quilômetros de São Paulo, um grupo armado incendiou as instalações de uma empresa de comunicação onde estão instalados o principal jornal da cidade, Diário de Marília, e duas rádios. Houve algum movimento: a ANJ, Associação Nacional de Jornais, divulgou um protesto, o próprio presidente prometeu providências, um dos criminosos já foi detido, começam a aparecer pistas sobre os mandantes mas o país ainda não sabe exatamente o que aconteceu em Marília, por que aconteceu e o que está sendo feito para punir os culpados.


Não se trata da velha incapacidade da nossa imprensa em acompanhar o desdobramento dos fatos. No caso de Marília está parecendo que há uma inércia consensual para deixar as coisas como estão. E nesta meia omissão reside um dos grandes problemas da nossa mídia: ela só se interessa por alguns grandes fatos e, mesmo assim, momentaneamente. Nossos grandes veículos não prestam atenção num dado elementar – os grandes fatos começam bem pequenos lá nos cafundós. O caso de Severino Cavalcanti, por exemplo, não é um problema que se localiza na Praça dos Três Poderes em Brasília. Severino é um problema do interior de Pernambuco que chegou à Brasília.


A nossa grande imprensa não toma conhecimento do que diz a pequena imprensa regional e assim o país deixa de saber o que se passa nas suas entranhas. O atentado ao Diário de Marília é emblemático.


Em condições normais pode ser classificado como atentado terrorista, intimidação para calar a imprensa e manter a sociedade afastada da verdade. Mas envolto em tantos mistérios o caso do Diário de Marília parece ser antes um caso de falta de informação.


Este Observatório da Imprensa, repetimos mais uma vez, não é tribunal, muito menos instância policial. Este Observatório é um fórum para provocar discussões, para estimular ações e sobretudo para aproximar a sociedade da sua imprensa. Juntas, ficarão protegidas e imunes contra as fagulhas e os incêndios.


Assista ao compacto desse programa em:
www.tvebrasil.com.br/observatorio/videos.htm

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