Domingo, 16 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Democracia e ambiguidades

Por Alberto Dines em 10/05/2005 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Você tem certeza de que estamos numa democracia? Você tem certeza de que gozamos da liberdade de expressão e opinião? Você tem certeza de que temos um Judiciário comprometido com a justiça? Nossos magistrados são isentos e imunes às pressões? E nossa imprensa, é independente, está atenta ao seu dever de defender o cidadão e respeita o sagrado princípio da isonomia?

Você sabe e isso não é novidade: nossa democracia é apenas formal, o estado de direito é uma aparência ou talvez um desejo. Nossa justiça é falha e porque está sendo insistentemente cobrada começa a dar sinais de desespero e impaciência. Resta a imprensa: as empresas jornalísticas são formalmente livres mas são empresas e empresas têm interesses e idiossincrasias nem sempre as mais saudáveis. Mas se as empresas jornalísticas contentam-se com o grau de liberdade que desfrutam não é este o caso dos jornalistas e comunicadores individualmente.

Neste exato momento, no intervalo de apenas uma semana, assistimos a duas violências contra a imprensa cometidas justamente pelo Poder Judiciário que existe para garantir a liberdade e o direito de manifestação. O jornalista Jorge Kajuru foi condenado a 18 meses de prisão domiciliar porque um juiz de Goiás deu ganho de causa a um dono de jornal, o empresário Jaime Câmara. Também em Goiânia um juiz determinou a apreensão do novo livro do escritor Fernando Morais ‘Na toca dos leões’ dando ganho de causa ao deputado federal Ronaldo Caiado. Não contente o magistrado embargou qualquer manifestação tanto de Fernando Morais como da sua editora. Se não obedecerem pagarão multa de cinco mil reais a cada manifestação.

No passado tivemos os censores fardados, agora temos os censores togados. E eles se multiplicam de forma assustadora. O mais grave é que a Associação Nacional de Jornais, em solidariedade ao seu associado poderoso empresário de jornal, não ofereceu a menor solidariedade e apoio ao jornalista injustamente condenado à prisão. Mas em compensação a mesma ANJ protestou com veemência contra a apreensão do livro de Fernando Morais. Qual é o teor do livro ‘Na toca dos leões’? A trajetória da poderosa agência de publicidade W/Brasil. Fica claro porque razão a ANJ calou-se num caso e abriu as baterias no outro. Se é absurda a situação de um empresário de jornal que manda prender um jornalista mais absurda é a ambiguidade de uma entidade que se apresenta como defensora da liberdade de expressão no país e pouco faz por ela.


Assista ao compacto desse programa em:
www.tvebrasil.com.br/observatorio/videos.htm

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