Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

MÍDIA E PUBLICIDADE

Dinheiro em propaganda

Por Alberto Dines em 19/07/2005 | Programa número 336 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Papo com o presidente Lula em Paris virou entrevista bomba.


Saiu no Fantástico no domingo mas foi o grande assunto dos jornais de hoje. O presidente da República driblou os jornalistas que o acompanharam a Paris, gastou quase meia hora com uma documentarista brasileira e no meio do papo admitiu uma infração eleitoral. Mas a entrevistadora não percebeu, nem reperguntou. Ficou suspeito, pareceu jogada combinada. Esta entrevista vai render.


O Jornal Nacional foi atropelado num cruzamento errado.


O Correio Braziliense já havia tentado e viu que era uma canoa furada mas o Jornal Nacional embarcou no cruzamento feito pelo deputado Rodrigo Maia e deu enorme destaque na quinta passada à comparação das duas listas de nomes: os que entraram no prédio do Banco Rural nos dias dos grandes saques em dinheiro e os assessores dos deputados. Esqueceram dos homônimos, esqueceram de gente que ia ao banco pagar suas contas. No dia seguinte o cruzamento até mostrou assessores de Rodrigo Maia que foram ao banco pagar suas pequenas contas. O fato de que alguns nomes apareceram depois na lista de Marcos Valério não justifica a acusação a inocentes. Foi o que se chama no jargão, uma barriga. Nesta crise em que há tantas instituições desmoralizadas a imprensa é a única que não pode falhar.


Tudo começou com aquele alto funcionário dos Correios embolsando três mil reais de propina. O segundo personagem a entrar em cena foi o deputado Roberto Jefferson o réu-acusador que desvendou os esquemas para financiar o mensalão. O terceiro personagem é Marcos Valério, lobista que apresentava-se como publicitário, dono de algumas agências de publicidade que, entre outros malefícios, converteu a publicidade e especialmente a publicidade oficial na grande vilã da história.


A mídia está assanhadíssima com esta sucessão interminável de escândalos mas a mídia ainda não se lembrou de fazer algumas perguntas cruciais: será que os governos precisam mesmo gastar tanto dinheiro em propaganda? Este quase bilhão de reais anuais entregues à mídia não fariam melhor propaganda para o Governo se fossem transformados em obras? Mas será que a mídia conseguiria sobreviver sem esta copiosa irrigação oficial?


Uma coisa é certa: parte das somas fabulosas que estão pipocando no noticiário relacionam-se com contratos de publicidade oficial que afinal vão render benefícios à mídia. Ou à parte dela.


É por isso que o perigoso triângulo governo-anúncios-mídia só pode ser tratado num programa como este. Nossa obrigação é esquecer que estamos pisando em um campo minado.


Assista ao compacto desse programa em:
www.tvebrasil.com.br/observatorio/videos.htm

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