Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MÍDIA E PESQUISAS ELEITORAIS

Eleições 2002

Por Alberto Dines em 16/07/2002 | Programa número 205 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Duas semanas atrás você estava de olho no placar da Copa do Mundo. Agora você está de olho em outro placar, o das pesquisas eleitorais. Mas existe uma descomunal diferença entre estas duas formas de registrar resultados. O placar futebolístico registra números concretos e absolutos, em tempo real, já acontecidos, escóres de gols feitos, irreversíveis. Já o placar das pesquisas é uma estimativa, sondagem, amostragem, projeção sobre um jogo que sequer começou e pode sofrer muitas alterações.



Numa partida de futebol o placar é único, indiscutível, com resultados definitivos, obtidos pela habilidade, talento ou tática dos jogadores. O placar das pesquisas, ao contrários dos estádios, é variável e variado porque são muitos os institutos empenhados em projetar os resultados da eleição. Esta concorrência acirrou-se de tal forma que segundo Millôr Fernandes hoje não se pergunta ao amigo em quem vai votar mas qual o seu instituto – Ibope, Vox Populi, Datafolha ou Sensus.



O debate em torno de pessoas, partidos e programas foi substituído pelo confronto entre prognósticos. Quem ganha ainda não se sabe mas, nestas condições, quem perde é a democracia. Na edição de hoje vamos tratar da pesquisite, a fascinação pela numeralha (para usar a expressão da colunista Helena Chagas, de Brasília). Já tratamos do mesmo assunto nas eleições de 1998 e, a persistir esta distorção do processo eleitoral, voltaremos a tratar dele nas próximas eleições.



Sobretudo porque as pesquisas estão concentradas basicamente nos pleitos majoritários, presidente e governadores, com remissões mínimas à escolha dos senadores. Nem os institutos e sobretudo nem a mídia está atenta às eleições proporcionais – a escolha dos deputados federais. A mídia está esquecendo da governabilidade no próximo mandato e o sucesso do próximo ocupante do Planalto. A grande verdade é que os candidatos à Câmara Federal não têm condições de contratar marqueteiros e o desvario em torno das pesquisas é apenas sub-produto de uma doença ainda mais grave: a hegemonia do marketing político.


Assista ao compacto desse programa em:
www.tvebrasil.com.br/observatorio/videos.htm

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