Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

A MÍDIA NO PÓS-GUERRA

Imprensa e ONU

Por Alberto Dines em 15/04/2003 | Programa número 236 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


A guerra formal no território iraquiano chega ao fim mas o estado de guerra mantém-se na região. Pior do que isso, o estado de guerra mantém-se nas almas e nos espíritos de todos, em todos os quadrantes do mundo. Está parecendo que os pacifistas cansaram de pregar a paz ou que o seu pacifismo foi insuficiente. Todos falam na ONU mas curiosamente nossa imprensa não cobre a ONU. Nem temos nas redações especialistas em ONU. Nossos leitores têm uma vaga noção do que é a ONU. Como funciona e de nosso papel nos seus primeiros anos de vida. Se condenamos o unilateralismo precisamos criar uma mentalidade multilateralista da qual a ONU é a expressão maior. O arrefecimento da cruzada pela não-violência coincide com uma beligerância que começa a tomar conta da imprensa internacional, inclusive a brasileira. Estamos assistindo no momento ao renascer de um confronto ideológico que há dez anos todos haviam dado como encerrado. E o campo de batalha deste novo facciosismo é a imprensa. Não há mais matizes nem nuances, tudo parece encaminhar-se para o dogmatismo. E isso dos dois lados.


A onda anti-Bush converteu-se num anti-americanismo sectário e a onda pró-Bush reforça o fundamentalismo político e religioso. Os leitores que querem entender e formar juízos estão confusos ou, quando não, entregam-se à indiferença o que é ainda pior. A imprensa não é partido político, ao contrário, é a ponte entre as diferentes idéias políticas. A imprensa é testemunha não é protagonista. Se morreram jornalistas devemos chorá-los da mesma forma que choramos a morte de civis e militares, de ambos os lados. A onda de saques que vemos pela tv nas cidades iraquianas não pode ser manipulada por qualquer uma das partes – nem para provar que os iraquianos são ingovernáveis e precisam de uma ditadura como a de Saddam nem para sugerir que precisam ser tutelados eternamente. Nestes tempos de incertezas a imprensa deve despojar-se das certezas para ajudar aqueles que fazem da dúvida uma forma de conhecimento. A idéia de que a imprensa é um campo de batalha não se coaduna com o projeto de converter a imprensa num fator de aprimoramento e elevação.


Assista ao compacto desse programa em:
www.tvebrasil.com.br/observatorio/videos.htm

Todos os comentários

Programas Anteriores

1 2 3 4 5 última

1 de 815 programas exibidos

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem