Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

O FIM DO JB

Morte lenta de um jornal agonizante

Por Alberto Dines em 20/07/2010 | Programa número 555 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

A imprensa não se comoveu, foi fria e álgida ao anunciar o fim da edição impressa do Jornal do Brasil. Não percebeu que esta mesma frieza e esta mesma algidez são os símbolos de uma transformação que está acabando com a derradeira instituição iluminista e a última profissão romântica. A imprensa abdicou das emoções porque aceitou transformar-se numa indústria tão transcendental quanto uma fábrica de biscoitos.

O JB vai desaparecer vitimado pela conhecida "falência múltipla dos órgãos". Péssimas companhias e lamentáveis escolhas políticas liquidam criaturas e instituições. Aqui não foi diferente.

Toda a imprensa apoiou o golpe militar em 1964, exceto a Última Hora. Pior do que isso foi entregar-se ao czar da economia, Delfim Netto, apoiar Leitão de Abreu contra o general Geisel, depois aliar-se a Maluf, depois aderir a Collor de Melo e mais recentemente ao casal Garotinho. A amizade mais perniciosa foi com Delfim Netto que estimulou o jornal a endividar-se pesadamente para financiar uma faraônica sede e os novos equipamentos.

Este elefante branco atropelou o resto dos escrúpulos e entregou o jornal a um empresário que não lê jornais e detesta jornais, exceto jornais moribundos que arrenda a preço de banana.

Nelson Tanure anunciou o fim do Jornal do Brasil com um anúncio e aos assinantes entregou uma circular assinada por um preposto. Rodolfo Dantas, Joaquim Nabuco e Rui Barbosa, antigos diretores, estão morrendo novamente.


 

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