Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

O BRASIL E A TENTAÇÃO TOTALITÁRIA

O Brasil na Guerra

Por Alberto Dines em 03/11/2009 | Programa número 527 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Onde o austríaco Adolf Hitler encontrou o veneno para intoxicar a Alemanha, parte da Europa e incendiar o mundo? Hitler não inventou o racismo, apenas modernizou as teorias sobre a inferioridade de certas raças. Hitler não procurou a política, a política foi atrás dele quando logo depois da 1ª Guerra fez um curso para líderes antibolcheviques.

Juntou as duas paranóias e com elas criou uma doutrina segundo a qual o Comunismo era uma invenção dos judeus para dominar o mundo. Ingressou no Partido dos Trabalhadores Alemães, de direita, depois o transformou no Partido Nacional-Socialista. Em apenas 12 anos, era dono da Alemanha e liquidava com a república de Weimar assim batizada para homenagear o romântico Goethe.

Professor primário, jornalista panfletário, Benito Mussolini era um inflamado socialista e depois da Primeira Guerra, inspirado nas glórias do Império Romano e na idéia do fáscio, feixe, criou o partido fascista, federação de grupos de combate inspirados numa combinação de patriotismo, corporativismo, sindicalismo nacional e anti-comunismo.

Rivais no início, os dois tiranos depois se uniram graças ao ódio à democracia e ao capitalismo.

Acreditavam-se predestinados e imbatíveis. Apostavam na propaganda, na demagogia, na convocação das massas para a política das ruas. Embora a Alemanha fosse uma potência econômica, quem se saiu melhor na exportação de ideologias foi Mussolini servido pela cultura latina e pelo apoio da Igreja Católica depois da concordata com o Vaticano.

O seu fascismo chegou à Polônia, à Romênia, à Hungria, a Portugal, à Espanha…

Espalhou-se virulento pelo novo mundo graças à profusão de ditaduras e caudilhos. O partido fascista brasileiro, a AIB chegou a contar com 600 mil afiliados.

A tentação totalitária avançava pela direita e pela esquerda alimentada pela crença de que a democracia liberal era uma falácia incapaz de evitar a debacle financeira de 1929 e melhorar a condição das multidões de desempregados e famintos. A democracia liberal foi efetivamente uma falácia ao acreditar que as duas bestas totalitárias seriam úteis: chocaram os ovos da serpente e quando quiseram reagir, era tarde.

Em busca do eldorado americano, sucessivas ondas de imigrantes europeus e orientais serviram de pretexto para fortes movimentos xenófobos, racistas. A palavra "gringo" entrou para o nosso vocabulário de ofensas e manifestos políticos.

Num cenário tão favorável ao autoritarismo, uma surpresa: o Brasil passa para o outro lado, rompe relações com o eixo, enfrenta o cerco dos submarinos e entra entusiasmado num conflito que se trava no outro lado do globo.

O "v" da vitória chegou até nós não apenas como símbolo da resistência ao nazi-fascismo europeu. Apenas cinco meses depois do fim da Guerra no velho mundo, desaba a ditadura do Estado Novo e termina um ciclo autoritário de 15 anos. A luta pela democracia lá fora foi decisiva para criar uma democracia aqui dentro.

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