Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CIRCO DA CPI

O Circo

Por Alberto Dines em 26/07/2005 | Programa número 337 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Você sabia que os jornais gastam fortunas para escolher o tipo e tamanho de letra para tornar os textos mais legíveis? A Folha normalmente usa um tipo e tamanho de letra. Mas no último domingo o jornal publicou um importantíssimo texto com um corpo ou tamanho de letra microscópico.


Acidente? Pode ser. Acontece que este texto era um protesto do ex-ministro José Dirceu contra o linchamento moral que vem sofrendo inclusive da Folha. O Jornal Nacional, também citado na reclamação, recebeu o texto na mesma hora, conseguiu colocá-lo normalmente na edição de sábado e ainda o respondeu. É assim que se faz.


A solução da Folha contraria frontalmente o compromisso de isenção e a garantia do direito de resposta. Na edição de segunda-feira apenas a desculpa a um leitor alegando que a nota chegou tarde, por isso não foi incluída em toda a edição dominical. A reclamação de José Dirceu não foi comentada nem ontem nem hoje pelo jornal. Numa hora de crise como esta, estes tropeços podem ser fatais para a imagem da imprensa.


A vedete da cena política não tem nome, tem sigla: CPI ou, por extenso, CPMI. É um fórum e também um espetáculo, aliás um fascinante espetáculo político e mediático. Acompanhada integralmente pelas televisões da Câmara, Senado e parcialmente pela BandNews, GloboNews e CBN, magnificada pela minuciosa cobertura do Jornal Nacional da Globo, a CPI incorporou-se à rotina do cidadão participante.


Não é a primeira comissão parlamentar de inquérito da nossa história mas certamente é a mais intensa e está sendo a mais dramática. Seus membros, deputados e senadores, sabem que não podem desperdiçar esta excepcional oportunidade para aparecer e brilhar. Uma intervenção de alguns minutos sobre o mensalão pode economizar milhares de reais na próxima campanha eleitoral para o Congresso.


Depois de uma CPI, um deputado converte-se facilmente num candidato ao Senado e um senador ou senadora qualifica-se para entrar na disputa presidencial.


A truculência de Roberto Requião na CPI dos Precatórios garantiu-lhe o governo do Paraná. O equilíbrio de Delcídio Amaral pode transformar um discreto senador pelo Mato Grosso do Sul numa figura nacional.


O mais curioso é que uma CPI instalada principalmente por causa do mensalão pago aos deputados esteja sendo transformada num trampolim para a fama de outros parlamentares. Se a CPI não começar a produzir resultados, o distinto público pode se cansar.


Assista ao compacto desse programa em:
www.tvebrasil.com.br/observatorio/videos.htm

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