Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1070
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Para onde vamos?

Por Alberto Dines em 22/12/2009 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Embora a nossa Corte Suprema tenha estipulado que jornalismo não é profissão, preferimos o entendimento de Hipólito da Costa que, em junho de 1808, enxergou os “redatores das folhas públicas” como cidadãos ainda mais úteis do que os demais porque apresentam os fatos do momento, as reflexões sobre o passado e “as sólidas conjecturas sobre o futuro”.

No último programa de 2008, com o aval do patrono da nossa imprensa, sem bolas de cristal ou búzios, acrescentamos ao rol de atribuições dos jornalistas a tarefa de desdobrar os fatos de hoje até chegarem ao amanhã. Com os mesmos convidados e idêntica disposição jornalística, um ano e seis dias depois, vamos avaliar o que aconteceu e conjecturar (ou inferir ou presumir) as tendências ora em gestação.

Nossa tarefa no ano passado foi facilitada por dois fatos decisivos, cruciais, ocorridos pouco antes. Não seria difícil prever que a quebra de grandes instituições financeiras em Wall Street e a vitória de Barack Obama produziriam fortes alterações no cenário econômico americano, internacional e também brasileiro. Fomos prudentes ao concluir que a crise financeira será atenuada no Brasil, porém fomos mais longe no exercício prospectivo ao imaginar o declínio do capitalismo irreal, desregulado e delirante.

Neste contexto era inevitável mencionar um estado mais presente e lembrar o presidente Franklin Roosevelt e o seu “new deal” progressista dos anos 30 do século passado, que Barack Obama não poderia ignorar quando assumisse.

Duas efemérides nos espreitavam: os 70 anos do início da 2ª Guerra Mundial nos empurrou para o conjunto de fenômenos responsáveis pela maior catástrofe produzida pela humanidade (ou desumanidade) nos últimos 500 anos e ainda não superados. Daí foi um passo para falar nos “aloprados” políticos e nos fantasmas do fanatismo e da intolerância disfarçados atrás das religiões, todas as religiões.

A segunda efeméride também relacionou-se com a 2ª Guerra: os 20 anos da queda do Muro de Berlim deveria marcar o fim da guerra fria mas serviu para exibir os perigos do pensamento único.

Outra herança da 2ª Guerra Mundial foi positiva: a criação da comunidade do carvão e do aço que acabou com as guerras no coração do velho mundo e desaguou na criação da união européia, primeira federação supranacional da história da humanidade. Porém aqui, no novo mundo, este modelo de integração não “pegou” e só conseguirá decolar quando os caudilhos sossegarem.

Óbvio, não poderíamos esquecer a mídia e especialmente a imprensa. A crise que a assola já dura duas décadas e na realidade é uma crise de identidade estimulada pela explosão das novas tecnologias e pela concentração empresarial. Uma imprensa pouco diversificada não avança e não promove avanços.

O que nos espera em 2010 – mais do mesmo? Muito mais, certamente, os processos não se interrompem, só tendem a encorpar e algumas circunstâncias de ontem, hoje são mais agudas e prementes. Hora de perguntar: para onde vamos?

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