Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

HOLLYWOOD DE UNIFORME

Quando o cinema vai à guerra

Por Alberto Dines em 06/10/2009 | Programa número 523 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Adolf Hitler começou a Guerra através do rádio e quem o enfrentou antes de todos foi o cinema de Hollywood. Os nazistas apostaram na delirante doutrinação da nação germânica certos da sua superioridade: sozinha conquistaria o mundo. Os nazistas não contaram com o mundo, não contaram com a humanidade e sua infinita capacidade de produzir aproximações.

Empenhados em expulsar os indesejáveis, os nazistas esqueceram-se da capacidade de resistência dos refugiados. O Nobel de Literatura Thomas Mann, um dos primeiros a deixar a Alemanha depois da ascensão de Hitler, disse que "os nazistas queimaram os livros que não saberiam escrever".

A Alemanha enxotou os seus escritores e artistas. Hollywood, a capital da fantasia, a fábrica do sonho americano, os acolheu de braços abertos e com eles construiu um formidável auditório mundial.

Hollywood foi construída por uma comunidade de imigrantes e estes imigrantes perceberam o perigo antes dos estadistas. O representante da Warner na Alemanha, Joe Kaufmann, foi morto por vândalos nazistas no Progrom da Noite dos Cristais em 1938. No ano seguinte, Jack Warner começava a produzir filmes anti-nazistas que culminaram com "Casablanca", inesquecível combinação de romance e idealismo político.

A mesma Noite de Cristais levou Charlie Chaplin a transformar o adorável vagabundo chamado Carlitos, num militante humanitário.

Hitler era um cinéfilo, assistiu-o, ficou furioso, nada podia fazer apesar do seu poderio militar. Seus histéricos discursos no rádio não chegavam ao mundo, ao contrário do discurso final de Chaplin, transformado num hino internacional da paz.

A 2ª Guerra Mundial foi uma guerra total e, graças ao cinema, principalmente graças a Hollywood, a retaguarda não ficou distante das frentes de combate. Todos eram soldados.

Hollywood não permitiu que os campos de extermínio, a solução final e o holocausto fossem encobertos pelas comemorações da vitória. Neste momento, o cinema bélico deu lugar ao cinema-atrocidades.

Esta outra guerra talvez nunca saia de cartaz.

 

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