Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1008
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Sob o comando do marketing

Por Alberto Dines em 05/10/2010 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

No jornalismo não há vencedores nem vencidos, todos são notícia, tudo é informação.

O saldo de avaliações do primeiro turno reforça o que foi dito em nossa edição anterior: o debate sobre o desempenho da imprensa foi extemporâneo, deslocado e acabou por produzir o esvaziamento do confronto de ideias sobre questões vitais para a sociedade brasileira.

O eleitor se ressentiu, sua pauta é muito mais ampla do que a questão do aborto onde os candidatos praticamente não divergiram. A supervalorização desta questão é artificial. Mesmo porque ela embute-se em outra, muito mais ampla e mais importante: o Estado brasileiro continuará sendo tutelado pelas confissões religiosas ou conseguirá finalmente alcançar o ideal democrático do laicismo?

A mídia, tal como os candidatos, deixou-se levar pela onipotência dos marqueteiros. Não soube cobrar mais espontaneidade nem soube manifestar seu desagrado diante de debates sem debates, propositalmente insípidos.

Obcecada com as pesquisas como se fossem exatas e definitivas, nossa imprensa deixou de fazer jornalismo, preferindo o que há quatro presidenciais designamos como "pesquisismo". Foi um caso de auto-engano coletivo porque a ascensão da candidata Marina Silva era sempre traduzida como "margem de erro". Margem de erro para cá, margem de erro para lá e, de repente, há um fato novo que altera tudo e que ninguém teve a coragem ou a intuição para identificar.

Não se confirmaram as previsões de que a internet desempenharia um papel crucial. Isso já aconteceu na Inglaterra onde também não se repetiu o espetacular sucesso das redes sociais na eleição de Barack Obama. A mídia deveria ser mais cética com relação às repetições, a formação de tendências nunca é retilínea. A onda digital entre nós manifesta-se com mais intensidade na linguagem desabrida e na boataria solerte. Não foi isso que levou Obama à Casa Branca.

Nada disso é tão grave quanto o atraso da Justiça que mantém sub-judice duzentas candidaturas e oito milhões de votos. Tão grave quanto isto é o fenômeno Tiririca que repete o Cacareco de 50 anos atrás. Discutiremos isso também a seu tempo.

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