Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ATENTADOS NOS ESTADOS UNIDOS - 1 ANO DEPOIS

Terrorismo

Por Alberto Dines em 10/09/2002 | Programa número 213 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Você sabe que no livro do Gênesis está dito que Deus criou o mundo em seis dias. E no entanto jornais e revistas estão garantindo que o mundo mudou no dia 11 de setembro de 2001. É possível mudar o curso da história em menos de algumas horas? O que nos leva a uma outra questão: a história é um conjunto de datas e grandes espasmos ou um processo contínuo?


Como o jornalismo é primo pobre da história também cabe perguntar: o papel da mídia consiste apenas em lembrar grandes ocorrências como se fosse um grande espetáculo ou deve acompanhar atentamente o desdobramento das situações? No primeiro aniversário do massacre terrorista de Nova York e Washington grande parte da mídia está fazendo uma opção pelo paroxismo ao afirmar que mudou tudo a partir do 11 de setembro de 2001.


Como se, de repente, tudo tivesse sido rompido e interrompido. Rememorar um grande momento não significa esquecer outros pequenos momentos e o encadeamento entre eles. O mundo muda todos os dias e quando a imprensa não percebe o que está em curso mostra que não está cumprindo o que dela se espera. Nunca é demais repetir: o objetivo deste Observatório da Imprensa não é discutir o que mudou mas como a mudança foi vista pela imprensa.


O que deve nos interessar aqui, também, é o fato de que o terrorismo sem mídia não espalha o terror. Os planejadores dos atentados do ano passado não perderam de vista o poder intimidador das imagens catastróficas. Razão pela qual os terroristas organizaram as colisões com um intervalo de quase 20 minutos de forma que depois do primeiro impacto as câmeras de televisão estivessem obrigatoriamente focadas nas Torres Gêmeas para flagrar a segunda colisão. Conseguiram. Ainda não se sabe o efeito da repetição daquelas cenas.


Ainda é cedo para avaliar se esta saturação de imagens tétricas amplia ou banaliza o terror, se estimula a solidariedade com as vítimas ou sugere simpatias para aqueles que as vitimaram. Uma coisa é certa: não se pode evitá-las. Estas são questões que dizem respeito aos jornalistas e aos estudiosos da comunicação mas interessam muito ao destinatário do processo jornalístico – você, você que faz parte de um processo e quer saber como este processo afeta a sua vida.


Assista ao compacto desse programa em:
www.tvebrasil.com.br/observatorio/videos.htm

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