Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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30 ANOS DA MORTE DE VLADIMIR HERZOG - REPRISE

Uma nova perspectiva

Por Alberto Dines em 15/11/2005 | Programa número 353 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Você talvez não tenha conseguido ver este programa quando foi apresentado a primeira vez há duas semanas. Foi exibido às onze e meia da noite como parte da programação especial da Rede Pública de TV para lembrar os 30 anos da morte de Vladimir Herzog. Este programa ganha agora uma nova perspectiva a partir da decisão anunciada pelo Governo de reunir a documentação sobre os anos de chumbo no Arquivo Nacional. Mesmo que o acesso a esta documentação fique restrito é de suma importância saber que a nossa memória não permancerá trancada nas mãos daqueles que não estão interessados em revelá-la.


Passadas três décadas há muita coisa ainda obscura na prisão, tortura e morte do diretor de jornalismo da TV Cultura em 25 de outubro de 1975. Vladimir Herzog não foi o único jornalista preso nos meses de setembro e outubro daquele ano. Não foi o único da equipe da TV Cultura, também não foi o único torturado, mas Vladimir Herzog foi o único assassinado.


Por quê? Mesmo sem acesso à documentação é possível formular novas perguntas e com elas procurar novas pistas. Jornalistas têm um compromisso com a busca da verdade e aquele assassinato está impregnado de enigmas e também de símbolos: a família Herzog que fugiu do terror nazista no velho mundo acabou vitimada aqui, no novo mundo, por um tipo de terror com estreitas vinculações ao nazi-fascismo.


Convém recordar também que a primeira reação pública ao assassinato de Herzog deu-se cinco dias depois sob a forma de um culto ecumênico. O primeiro protesto contra a violência política desde o AI-5 manifestou-se pacificamente através de uma inédita exibição de convivência e tolerância. E foi por causa do assassinato de um jornalista que os brasileiros despertaram para a resistência.


Herzog foi o protagonista de uma tragédia mas também simboliza um pacto entre imprensa e sociedade para acabar com a tirania do silêncio e da mentira. Lembrar a ditadura enquanto gozamos dos benefícios da democracia é salutar, positivo, edificante.


O reencontro persistente com o passado é o melhor remédio para impedir funestas repetições.


Assista ao compacto desse programa em:
www.tvebrasil.com.br/observatorio/videos.htm

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