Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

COBERTURA DO CASO SUZANE RICHTHOFEN

Violência

Por Mauro Malin em 19/11/2002 | Programa número 223 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Apesar das notícias em contrário a TVE continua no ar. E nós com ela. A transmissão desta edição a partir da TV Cultura é apenas coincidência. Como habitualmente, teremos hoje a participação do nosso triângulo básico: Brasília, Rio e São Paulo.



Você, como todo o mundo, também ficou horrorizado com o crime cometido pelos três jovens aqui em São Paulo. Principalmente porque um dos matadores confessos é a filha do casal barbaramente assassinado. O horror ainda não cedeu. Ao contrário do que normalmente acontece, o episódio não caiu no esquecimento. Nem deve ser esquecido. Envolve problemas graves demais para serem substituídos pelo efêmero troca-troca do noticiário policial.



Desta vez não se trata de mais uma chacina de fim de semana, nem mais um crime hediondo praticado pelos narcotraficiantes. Este é um flagrante sangrento de uma sociedade que está necessitando refletir sobre ela mesma. Não vale a alegação de que crimes iguais acontecem com freqüência nas favelas e periferias das grandes cidades e este só ganhou relevância porque os protagonistas pertencem à classe média.



Ao contrário, aqui não se trata de exclusão social mas de gente perfeitamente incluída. Não são marginais mas jovens integralmente inseridos nas modas e modismos da classe média alta. E por que não absorveram os valores que se imagina comuns nos degraus superiores da sociedade? Esta é a questão. E com ela esbarramos numa pergunta que faz parte da pauta permanente deste Observatório. As informações que em nosso país circulam entre os mais afluentes estão sendo capazes de gerar paradigmas culturais capazes de sobrepor-se aos instintos mais bárbaros?



Pensem neste crime com uma ótica verdadeiramente social: a desumanização mostrada naquela madrugada no bairro do Brooklin, foi casual ou faz parte de um processo de esgarçamento moral que nossas instituições não conseguem neutralizar? Será que entre estas instituições incapazes de oferecer mensagens mais edificantes não se deve ser incluída a mídia? Esta tragédia não diz respeito apenas às famílias, sobreviventes, amigos e vizinhos.



Ela atinge todos nós, que assistimos à banalização da violência, que aceitamos as pequenas infrações e convivemos com a corrupção, que aceitamos as mistificações e nos deixamos levar pelo lento desintegrar de uma comunidade sem comunhão.


Assista ao compacto desse programa em:
www.tvebrasil.com.br/observatorio/videos.htm

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