Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
Menu

PAUTAS CONTEMPORâNEAS > Festival engajado

A última Berlinale de Dieter Kosslick e os filmes brasileiros nas mostras

Por Rui Martins em 05/02/2019 na edição 1023

Dieter Kosslick é crítico de cinema, jornalista e pesquisador alemão. Ele foi o quarto diretor do Festival Internacional de Cinema de Berlim. (Foto: Harald Krichel/Creative Commons)

Quando for projetado o primeiro filme do Festival Internacional de Cinema de Berlim, na quinta-feira, dia 7, um senhor irônico nascido na região de Munique, provocador, ativo e trabalhador, como costumam ser os alemães, começará a contagem regressiva dos seus últimos dez dias de reinado no mundo do cinema.

Dieter Kosslick tinha 53 anos, quando deixou Hamburgo para assumir, em 2001, a direção da Berlinale, como é chamado em alemão o terceiro maior festival de cinema do mundo. Com quase 70 anos Kosslick se aposenta com três anos a mais da idade máxima legal na Alemanha. São, portanto, 17 anos de Berlinale, e coincidentemente de vegetarismo, pois deixou de comer carne na mesma época em que se mudou para Berlim.

Porque, e poucos sabem, o diretor da Berlinale tem uma grande preocupação com a boa alimentação longe dos produtos industrializados, tanto que criou uma mostra paralela de filmes ligados à culinária.

Entretanto, a força da Berlinale provém do fato de ser um Festival engajado e suas seleções de filmes e seus prêmios mostram sua preocupação com os temas da atualidade. Imigração, racismo, gênero, homofobia, liberdade de expressão, laicidade, denúncia do totalitarismo e ditaduras são temas sempre abordados.

Essa abertura crítica é antiga e provocou a suspensão do festival em 1970, dois dias antes da distribuição dos prêmios, como ocorrera, em 1968, com o Festival de Cannes. A causa foi o filme alemão de Michael Verhoeven, O.K., mostrando a violação e morte de uma jovem vietnamita por soldados norteamericanos, durante a Guerra do Vietnã.

Berlim foi o primeiro festival a premiar uma negra como melhor atriz, Halle Berry, em 2001, premiada, no ano seguinte, com o Oscar pela interpretação em Monsters Ball. E foi Berlim também o primeiro a premiar uma negra africana melhor atriz, Rachel Mwanza, menina de rua congolesa, no filme Rebelde.

Este ano, a Berlinale mostra o filme Marighela, líder revolucionário brasileiro na época da Ditadura Militar, numa provocação ao presidente brasileiro de extrema direita. O regime iraniano também tem sido criticado nos filmes do cineasta iraniano Jafar Panahi, assim como o fundamentalismo católico polonês.

A próxima Berlinale, a 70ª, terá dois diretores: será dirigida pelo italiano Carlo Chatrian, ex-diretor do Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça, considerado o quarto no ranking dos festivais, e a holandesa Mariette Rissembeek, ex-diretora de German Films. Chatrian será o diretor artístico e Rissembeek, diretora executiva.

Não há filmes latinoamericanos na competição

Não há, nesta edição, nenhum filme latinoamericano na competição e nenhum filme lusófono, ou seja, tanto o Brasil como Portugal ficaram de fora.

A ausência latinoamericana não é total. Estará no Júri da Competição Internacional o cineasta chileno Sebastian Lelio, recompensado, em 2013, com o Urso de Ouro da Berlinale pelo filme Glória e Melhor Cenário, há dois anos, pelo filme Uma Mulher Fantástica, premiado também com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, no ano passado.

O Júri da Competição Internacional será presidido pela consagrada atriz francesa Juliette Binoche, já premiada como Melhor Atriz, na Berlinale, no Filme O Paciente, de Anthony Minghella, além de numerosos prêmios em outros festivais.

Um filme brasileiro será exibido na mostra principal, porém fora da competição aos Ursos de Ouro e de Prata. Trata-se de Marighela, do ator estreando como realizador Wagner Moura, contando os últimos cinco anos de vida do resistente à ditadura militar brasileira Carlos Marighela. Criador da Ação Libertadora Nacional, ALN, depois de romper com o PCB, Marighela foi assassinado em 4 de novembro de 1969, numa cilada na Alameda Casa Branca, perto da avenida Paulista, montada pelo delegado chefe do DOPS, Sérgio Paranhos Fleury.

A cineasta brasileira Maria Augusta Ramos, cujo filme O Processo, sobre o impeachment de Dilma Rousseff, foi premiado no Festival Visions du Réel, na Suíça, faz parte do Júri que escolherá o Melhor Documentário da Berlinale.

A abertura da Berlinale será com o filme The Kindness of Strangers, uma coprodução européia dirigida pela realizadora dinamarquesa Lone Scherfig.

Quase ao final do Festival Internacional de Cinema de Berlim, a cineasta francesa Agnès Varda mostrará seu documentário Varda por Agnès, contando toda sua vida de realizadora de 1954 até agora.

Filmes brasileiros

Os filmes brasileiros, nas diversas mostras da Berlinale, são os seguintes:

CURTA METRAGEM (competição)
Rise, por Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, (Brazil, Canada, USA, 20’)

FÓRUM EM EXPANSÃO
O Ensaio, por Tamar Guimarães (Brazil / Denmark, 53′)

FÓRUM
Chão, por Camila Freitas, Brazil

Querência, por Helvécio Marins Jr. (Brazil / Germany)

A rosa azul de Novalis, por Gustavo Vinagre, Rodrigo Carneiro, Brazil

PANORAMA
La Arrancada (France / Cuba / Brazil), por Aldemar Matias

Divino Amor (Brazil / Uruguay / Chile / Denmark / Norway / Sweden), por Gabriel Mascaro

Estou Me Guardando Para Quando O Carnaval Chegar, por Marcelo Gomes (Brazil – Panorama Dokumente)

Greta, por Armando Praça, Brazil

GERAÇÃO
Espero tua (re)volta,  Brazil, por Eliza Capai

**

Rui Martins, de Berlim, convidado pelo Festival Internacional de Cinema.

 

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem