Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > RODA-VIVA

Oposição a Chomsky

Por Ibsen Spartacus Petrópolis em 20/12/1996 na edição 12

Tive o privilégio de participar da entrevista de Noam Chomsky no Roda-Viva [transmitida pela TV Cultura em 9/12/96). Minha participação reduziu-se a duas perguntas porque, pelas longas respostas, os entrevistadores não tiveram muito que perguntar. 

Os pontos de vista de Chomsky sobre a mídia, de modo geral, me parecem muito absolutos. Ele me dá a impressão de ignorar a autonomia da opinião pública, que, na minha visão, somente se submete a conceitos propagados pela mídia em exceções que confirmam a regra. 

Se a opinião pública consome informação, não tenho dúvidas que, até pelo ponto de vista do mercado, será a informação de melhor qualidade (mais procedente, crível, autêntica, mais próxima da realidade) a preponderante no consumo por essa própria opinião pública. Se a informação está associada a interesses de corporações ou forças que se contrapõem ao interesse público (e, por conseguinte, da opinião pública), não é de boa qualidade. Se a avaliação não for pelo ponto de vista das respostas em um (supostamente) livre mercado, mas pela prestação de serviço à sociedade, os argumentos não diferem muito. Há e haverá sempre as "regras" na mídia de má qualidade por descuido profissional, concepção editorial equivocada etc. 

Chomsky prefere crer que a opinião pública se submete a grandes interesses expressos na mídia, na qual, na opinião dele, bons profissionais (e profissionais nem tanto, mas bem intencionados) são exceções à regra. É cretino e irresponsável. Com todos os defeitos, o New York Times ainda é um grande jornal, assim como o Washington Post. Eles prestaram e prestam grandes serviços à sociedade americana. 

Seus vínculos corporativos podem até, eventualmente, deixar escapar alguma informação – que, quando for divulgada por um jornal concorrente, terá de ser coberta porque a opinião pública americana (capaz de produzir marchas com milhões de pessoas, de exigir mudanças comportamentais que se espalham por outros países, de boicotar empresas e instituições) consegue pressionar e ser mais forte. Mesmo que o resultado dessa pressão demore, ele ocorre. E acredito mesmo que poderemos, algum dia, chegar a essa situação.

***

[Ibsen Spartacus Petrópolis, jornalista]

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