Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > BÉLGICA

Imprensa no pântano da abjeção

Por Alberto Dines em 05/09/1996 na edição 5

Somos modestos em matérias de modelos. A Bélgica – e não a Suécia, ou a Suíça – se converteu no paradigma brasileiro de desenvolvimento e prosperidade, e a Índia, no pólo oposto. Pois diante do trauma causado pelo assassinato das meninas Melissa e Julie, raptadas por pedófilos e mortas de fome pelos carcereiros, a imprensa belga comportou-se de forma surpreendentemente vexaminosa.

A exploração da dor e da vergonha, o uso inescrupuloso da tragédia foram tão aviltantes quanto o fato em si. O choque e o relato do choque somaram-se assustadoramentee converteram a imprensa belga em assunto da imprensa européia (e parcialmente da brasileira, graças ao Estadão).

Isto ocorreu num país onde funcionam outras instituições responsáveis e se criam parâmetros amplos de compostura e decência. Imagine-se a nossa pobre Belíndia desnorteada, sem emulações qualitativas, empobrecida pelo esculacho e pelo despautério.

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