Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > VEJA

O 'antes' virou 'depois'

Por Mauro Malin em 05/09/1996 na edição 5

Atualização em 7 de setembro de 1996

1) Informações resultantes da leitura da edição número 1.451 de Veja, datada de 3 de julho de 1996.

Na capa da revista havia, ao fundo, em tom vermelho, ocupando a maior parte da página, uma fotografia do rosto de Paulo César Farias. No alto, à esquerda, o rosto de Suzana Marcolino, sorridente, com a legenda "Suzana, a namorada". Fazendo pendant com essa foto, na diagonal, uma fotografia do ex-presidente Fernando Collor de Mello, com um bizarro arranjo de flores na cabeça, sorridente e tendo à mão uma metade de coco, e a legenda "Enquanto isso, no Taiti…"

A manchete da revista, em amarelo, como o título e as legendas, não convalidava a hipótese de que a morte de PC Farias, no dia 23 de junho, pudesse ser "queima de arquivo", ou tivesse qualquer tipo de conotação política: "Sexo, ciúme e sangue". Mas havia ao menos uma ilação de natureza política a ser feita pelo cidadão que a contemplasse: a imagem pública de Fernando Collor de Mello recebera a última pá de cal.

Na página 42 começava uma reportagem a respeito do passeio do casal Fernando e Rosane. Reproduzia-se, no título, a legenda da capa: "Enquanto isso, no Taiti…" O subtítulo dizia: "Collor 'lamentou profundamente o ocorrido'. E depois se esbaldou com Rosane, numa festa montada de casamento para turistas em Moorea."

"E depois…": convém destacar essas duas palavras.

O texto da reportagem de Veja, de 426 palavras, não diz a data em que Fernando e Rosane posaram em trajes nativos. Mas, do mesmo modo como duas palavras usadas no subtítulo ("E depois"…), transmite a informação de que o ex-presidente soube da trágica notícia e continuou na farra, sem sequer se preocupar com o fato de ser fotografado em tais circunstâncias. "(….) o programa a que Collor se dedicou enquanto o antigo parceiro era morto e enterrado".

2) Informações resultantes da leitura da edição número 1.459 de Veja, datada de 28 de agosto de 1996.

A revista publicou, sob a rubrica "Impeachment", a reportagem "Exílio dourado", subtítulo "Ao completar um ano fora do Brasil, Collor e Rosane curtem uma boa vida em Miami".

Enviada de Miami por Eduardo Oinegue, a reportagem passa ao largo da política. Contém, a folhas tantas, uma informação surpreendente para quem acompanhou esta descrição até aqui:

"Outra novidade esportiva foi o curso de mergulho submarino que Collor e Rosane fizeram como preparativo para a última viagem ao Pacífico, quando foram fotografados numa cerimônia de casamento típica no Taiti, um dia antes da morte de PC Farias."

Foram fotografados "um dia antes das morte de PC Farias", e não "depois", ou "enquanto isso…".

Veio à tona, assim, "enquanto isso", a informação de que, na edição de 3 de julho, oito semanas antes, Veja trocou as cinco letras de "antes" pelas seis de "depois".

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