Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > PROPAGANDA & FANTASIA

O fura-logro

Por Mauro Malin em 05/09/1996 na edição 5

Elio Gaspari voltou de férias neste início de setembro e, com ele, sua alentada cota-parte numa faculdade de que o jornalismo brasileiro jamais deveria abrir mão: a de não economizar em lucidez. Saber fazer-se perguntas necessárias, saber submetê-las a quem possa dar informações corretas, saber transmitir ao leitor o resultado de sua apuração.

Elio usou o fura-logro na página 4 do Estadãode 3 de setembro: "O fura-fila de Celso Pitta visto na TV é, na realidade, um fura-cérebro, porque transporta o cidadão do mundo real para o da fantasia e o deixa lá. Como elemento de propaganda, é um sucesso. Como ingrediente de plataforma, uma precariedade. No futuro, poderá ser um fura-cofre".

P.S. I: Atualização em 06/09/96

Uma queixa do PT levou a Justiça Eleitoral de São Paulo a proibir a exibição, nos programas de televisão do candidato Celso Pitta, da computação gráfica que simula, com imagens reais de São Paulo, o funcionamento de um VLP. O juiz Dyrceu Aguiar Cintra Júnior mencionou reportagem de O Estado de S.Paulo, publicada no domingo, dia 1 de setembro, sobre promessas dos candidatos à Prefeitura de São Paulo.

Em exame, não apenas a leviandade costumeira das promessas de campanha, levada ao delírio pela fantasia dos publicitários, mas também o uso da digitalização na transmissão de informações. A discussão não é nova. Pertence ao departamento da propaganda enganosa e nada tem a ver com censura, como sugeriu Duda Mendonça, pai da criança.

P.S. II:

No dia seguinte, a campanha de Pitta obteve liminar para continuar mostrando o fura-cérebro, perdão, fura-fila. À margem da batalha judicial, o candidato Rossi apresentou em seu horário "gratuito" (esses horários são tudo menos "gratuitos", nem o é qualquer propaganda eleitoral) um quadro cômico, mostrando que a computação gráfica permite tudo. Como dizia um velho ministro do Supremo, a respeito dos textos que lhe chegavam: "O papel aceita tudo". No hilariante sketch de Rossi, um metrô aéreo dourado voava sobre a Avenida Paulista…

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