Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > ENTRE ASPAS

Eles disseram

20/09/1996 na edição 6
Atualização em 21 de setembro de 1996

Francisco Graziano

"A UDR é uma expressão caipira da ignorância humana. Sua recriação era um fato aguardado nesse triste show de confusão que abastece a mídia nacional. Antes disso, era o MST contra o governo. Agora, teremos o MST contra a UDR. E o governo ficará de qual lado? Quem faz sua aposta?

Pobre debate. O MST radicalizou sua ação, culpando a inoperância governamental. Provocou os fazendeiros e agrediu a propriedade. A UDR ressurge para confrontar esse extremismo do MST. Ponto para os radicais. Ótimo para a mídia. Péssimo para a democracia."

("O extremismo agrário", Folha de S.Paulo, 21 de setembro de 1996. Francisco Graziano é secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.)

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Maria da Conceição Tavares

"No último ano, por causa da taxa de juros, deram R$ 30 bilhões para os rentistas. Foi quanto custaram os títulos da dívida pública na rolagem do mercado. Pode uma coisa dessas? Os economistas do governo e a imprensa ficam calados. A obrigação do governo é defender-se como puder, ainda que mistificando. E a imprensa ou acompanha a mistificação ou lança uma notícia amalucada sobre juros ou déficit, etc. (….)

Desemprego estrutural tecnológico há no mundo inteiro. Só que, aqui, antes da miséria moderna do quaternário, há a miséria do primário, do secundário e do terciário. Essa é a crítica pela qual a mídia e as corporações profissionais deveriam estar lutando. E não o fazem, em boa parte, porque criaram a fantasia de que elegendo um sociólogo ilustre, limpo e que lutou pela democracia, mais uma moeda forte, estaria tudo resolvido. Mesmo que Fernando Henrique queira, profundamente, resolver os problemas do Brasil, isso fica muito difícil com uma nação inconsciente e uma mídia que propaga, diariamente, que está tudo bem, e consegue separar a violência, a miséria e a economia como se uma coisa não tivesse a ver com a outra. Repartir o mundo em categorias estanques desinforma, deseduca e impede uma consciência cidadã. Hoje, eu tenho uma ira profunda da ideologia da mass media, que ajuda a partir a cabeça das pessoas. Tem gente que lutou pela democracia, que foi para o exílio, e, agora, só quer ganhar dinheiro. E se acham cidadãos porque, vez que outra, dão uma esmola para a campanha do Betinho.

Este país não se resolve dessa maneira. Eu não sei qual a solução, mas, enquanto as pessoas não tiverem consciência crítica, indignação e capacidade de lutar, ele não muda. E não adianta culpar o presidente da República. Ele e os seus ministros são culpados pela parte administrativa do Executivo. Afinal, aceitaram a missão, sabendo das condições adversas. Não podem, porém, ser responsabilizados pela injustiça, pela indignidade e pela fraudulência dessa sociedade. Sem a regeneração da sociedade, não haverá reforma do Estado. Isso depende de consciência. E, aí, a educação e a mídia são essenciais. O governo deve dar prioridade à educação de base e à mídia. Informar corretamente não é favor: é um dever. A mentira é um desserviço ao país. A última informação sempre precisa bater com a penúltima, sem desencontros".

("Conceição solta o verbo", Rumos, revista editada pela Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento, ABDE, outubro de 1995.)

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