Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Necrológio dos desiludidos

Por Mauro Malin em 20/09/1996 na edição 6

O Jornal do Brasil deu em manchete a morte de Ernesto Geisel, mas a edição não mereceu rigor compatível com a relevância atribuída ao assunto.

Numa linha do tempo, ao pé das páginas 3 a 4-D, fotos anacrônicas de Luís Carlos Prestes, com 90 anos no período de 1930 a 1937 (pág. 3), Jânio Quadros, prefeito, cabeça branca, no período 1961/68 (pág. 5), e Armando Falcão e Cacá Diegues quinze a vinte anos mais velhos do que no período abordado, 1976/79 (pág. 4-C).

Em texto sobre o período final da vida do ex-presidente, afirma-se que ele teria tentado ler o livro de Eric Hobsbawm (grafado, para variar, "Hobsbawn") A Era dos Extremos, onde "não há uma única linha dedicada ao país que Geisel já tinha governado". Na 1ª reimpressão da 1ª edição (São Paulo, Companhia das Letras, 1995), o Brasil é mencionado 32 vezes.

O que poderia surpreender é exatamente o contrário: o país aparece no livro mais vezes do que, por exemplo, Áustria (28), Austrália (17), Canadá (22), Hungria (26), Egito (24), Suécia (24) ou Turquia (23). Aparece tanto quanto a hoje redimensionada Iugoslávia e a desaparecida Tchecoslováquia. Quase todos esses países pesaram mais do que o Brasil na história do século XX.

Em tempo: o volume tem índice remissivo.

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[Mauro Malin, jornalista]

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