Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > CADERNOS

Livros

05/10/1996 na edição 7

§ A Arte do Motor, de Paul Virilio (Estação Liberdade, S.P., 1996,134 pp.).

Sexto livro editado no Brasil de autoria do arquiteto, urbanista e filósofo francês (o primeiro foi lançado em 1984). Mas só agora Virilio tornou-se o guru, ou antiguru da mídia. Sua crítica ao jornalismo-entretenimento, massificador e totalitário, vai além dos aspectos profissionais e éticos do atual media-criticism porque coloca-o num complexo de tendências anti-humanistase antidemocráticas. Não é apenas um livro sobre imprensa mas um ensaio sobre o mundo "informacional", excitado e doente, tão distante da preconizada Era do Conhecimento.

Alberto Dines

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§ Virando as Páginas, Revendo as Mulheres (Revistas Femininas e Relações Homem-Mulher, 1945-1964), de Carla Bassanezi (Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1996, 500 pp.).

Uma incursão no "maravilhoso mundo das revistas" para nelas buscar o perfil da mulher brasileira do após-guerra, mães e avós da mulher contemporânea. Jornal das Moças, Querida, Capricho, GrandeHotel, Revista do Rádio, O Cruzeiro e Cláudia são esquadrinhadas e avaliadas por uma historiadora sensível que busca o sentido das coisas e foge do pseudo-cientificismo que impregna malignamente as ciências sociais. Inclui uma justa homenagem a Carmen da Silva, psicóloga e escritora, uma das precursoras do feminismo moderno no Brasil.

Alberto Dines

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§ The Economist, Style Guide (1ª edição,Penguin Books, Londres, 1986; 3º edição Hamish Hamilton, Londres, 1993, 141 pp.).

O guia de estilo e normas de redação criado paraos redatores do melhor semanário internacional está sendo distribuído como brinde aos seus assinantes (inclusive brasileiros). Depois da onda de manuais de redação que nossos grandes jornais converteram em bestsellers para se autopromover e da qual nada resultou em matéria de excelência jornalística, esta é uma ótima oportunidade para conhecer um exemplo oposto. Junto com os conceitos que regem o jornalismo de qualidade de origem anglo-saxônica. Simples e despretensioso, elegante e bem-humorado, é uma preciosa ferramenta de trabalho para aperfeiçoar os textos da revista. Não impõe e não decreta coisa alguma, apenas convoca os redatores a cultivar o idioma para que as idéias expressas na revista sejam transmitidas aos leitores em melhor estilo.

Alberto Dines

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§ "Acho que todas as reportagens deveriam ser escritascomo escrevi Noticia de un secuestro" (Buenos Aires,Editorial Sudamericana, 1996).

Boa técnica empregou Gabriel García Márquez nessa "tarefa outonal" que consistiu sobretudo em captar o sofrimento dos reféns.O ritmo é vivo quando conta os seqüestros, arrastado quando o cativeiro se prolonga, vertiginoso quando se aproxima o desenlace. A linguagem é simples, mas a apuraçãoé rigorosa e as explicações, claras. "A Colômbia não tomou consciência de sua importânciano tráfico mundial de drogas enquanto os narcotraficantes não irromperam na alta política do país pela porta de trás", adverte, sem ilusões quanto a reações da opinião pública, que, "com as primeiras bombas, pedi a prisão para os narcoterroristas,com as seguintes pedi a a extradição, mas na quarta bomba começava a pedir que fossem indultados". Informações adicionais sobre o livro e seu contexto, colhidas na Internet, podem ser solicitadas via e-mail ao autor desta nota.

Mauro Malin

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