Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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A bolsa-escola e a publicidade federal

Por lgarcia em 10/10/2001 na edição 142

PÉSSIMA IMAGEM

Vera Silva (*)

Duas amigas minhas comentaram indignadas a cara-de-pau do governo federal em anunciar na TV que os R$ 15 da bolsa-escola vão comprar roupa e comida para as crianças, que poderão voltar para a escola em vez de trabalhar. Uma delas me disse que já está "com raiva daquela moça, tão boa atriz e a quem apreciava".

Eu, que não gostara nada da propaganda do governo, ainda mais por se aproveitar do doce personagem de Dulce, a professorinha idealista da novela Porto dos Milagres, fiquei mais aborrecida ainda.

Das duas uma: ou o governo quer aumentar a taxa de natalidade, pois com R$ 15 só tendo uns 8 filhos para dar meio salário, ou acha mesmo que está fazendo um grande feito dando uns míseros reais por mês aos miseráveis para que mandem seus miseráveis e famintos filhos à escola a fim de que alcancemos 100% de freqüência e acabemos com a evasão escolar? Não consegui inventar mais explicações para justificar o eufórico tom da propaganda. Eu esconderia isto debaixo de sete panos, com vergonha que alguém pensasse que, como presidente da república, me propunha a engabelar o povo.

Pegadinha da agência

Mas também, pensei, com um ministro da Educação que diz à imprensa que "não vai pagar salário de grevista porque se pagar eles não acabam com a greve", o que se pode esperar? Quem sabe uma proposta de cesta básica para completar o salário dos professores?

Eu não sou economista, mas em vez dessa vergonhosa propaganda, não seria preferível deixar o dólar subir e usar aqueles dólares do FMI para aumentar a bolsa-escola federal, pagar melhor os professores e investir em pesquisa e formação de profissionais em educação?

Este é um caso de propaganda negativa (isto existe?). A agência de propaganda que recebeu belos milhões para fazer este estrago na imagem do governo deveria ser objeto de investigação por malversação de talento às custas do dinheiro público. Será que eles ficaram com vergonha de avisar que esta não era uma boa idéia ou fizeram uma pegadinha com o governo?

(*) Psicóloga

    
    
              

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