Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

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A calmaria aparente

Por lgarcia em 05/06/2002 na edição 175

PROVÃO

Victor Gentilli

Uma nota minha neste Observatório há duas semanas provocou uma única carta. Em tempos passados de curto prazo, gerariam a maior polêmica. Pois o debate sobre o Provão tomou novo rumo. Os estudantes de Jornalismo, que boicotavam sozinhos o exame, agora querem espalhar sua tecnologia de entregar a prova em branco aos demais cursos.

Os líderes dos cursos de Comunicação, juntamente com líderes de outras áreas, inventaram um "Plebiscito do Provão", encontrável nas boas escolas de vários ramos. O único plebiscito em que só há debate e propaganda de um lado. Até agora, nada de resultados. Como o Provão será aplicado a todos os estudantes dos diversos cursos a ele submetidos no próximo domingo (9/6), é possível que procurem a imprensa para mostrar resultados nesta semana. Os editores precisam de atenção para ouvir o outro lado.

Participei de uns tantos debates sobre o Provão neste 2002. Mais do que em anos anteriores, porque o diretor de Avaliação do Inep,Tancredo Maia Filho, chefão do exame, que jamais deixou de comparecer a qualquer debate desde 1996, optou neste ano por descansar um pouco.

No Seminário do Provão realizado em fim de abril e, logo em seguida, no 5? Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, o Provão ocupou seu lugar. Trata-se de um em meio a um conjunto de instrumentos que o MEC dispõe no seu sistema de avaliação. Antes dele, tínhamos apenas o ranking da Playboy.

Em nenhum outro espaço falou-se tanto do Provão como neste Observatório. Uns poucos favoráveis à prova, entre eles este observador, uns tantos contrários, com argumentos os mais diversos.

No ano passado, chamei o boicote proposto pelas lideranças estudantis de covarde e irresponsável [ver remissão abaixo]. Tentei polemizar ponto a ponto com os argumentos dos estudantes. O julgamento cabe aos leitores. Mas meu argumento principal: entregar a prova em branco era um ato de covardia. São contra, não compareçam! A covardia se manifesta pelo fato de a nota do aluno ser sigilosa, enquanto a nota da escola que lhe deu formação é pública. Se isso é (mais) uma perversidade do processo, como dizem os defensores desse "boicote" irresponsável, maior a eficiência da tática do não-comparecimento. O MEC se verá diante de alunos formados, com todos os requisitos para obtenção do diploma obtidos, mas com o dito diploma retido por uma arbitrariedade do governo. Este seria um fato midiático com certeza e com resultados certeiros sobre o exame. Atingiria o alvo que os estudantes dizem pretender atingir: o MEC. O boicote, como praticado, atinge apenas a escola, coitada, que não tem nada com a história e sai prejudicada com um conceito negativo.

Os estudantes de Medicina nunca boicotaram a prova. Fazem a prova, mas fazem também o Cinaem, uma avaliação dos cursos de Medicina muito melhor do que o Provão. Até o ministro da Educação teve que se render ao Cinaem, e certa vez afirmou. "O Provão é um termômetro; o Cinaem é uma ressonância magnética".

Pois os estudantes de Jornalismo insistem em quebrar o termômetro quando poderiam dar força e continuidade ao Avaliação para Valer, somar-se ao esforço da Fenaj e a tantos outros que batalham pela melhora da qualidade, construindo uma ressonância magnética dos cursos de Jornalismo.

Boicotar entregando a prova em branco não é apenas covardia. É também irresponsabilidade, pois o conceito negativo de sua escola vai trazer prejuízos aos futuros alunos, vai desestimular melhorias nos cursos, vai criar um clima geral de permissividade onde a idéia de avaliação não predomina.

Fazer o Provão e mostrar seus eventuais problemas é criar um ambiente de avaliação que faz com que todos se empenhem pela melhoria do curso.

A nota que gerou uma única carta, que respondi pessoalmente, afirmava apenas que havia fortes indícios de que este ano o boicote deve perder força. Os indícios, ao meu ver, estão aí. Vamos aguardar os resultados.

Leia também

Notas

** O encontro anual da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós) será no Rio de Janeiro, nas dependências da UFRJ. Vale a pena conferir os trabalhos apresentados nos GTs, em especial o GT de Estudos de Jornalismo. Os textos estão acessíveis no sítio do GT <www.facom.ufba.br/Pos/gtjornalismo/>.

** Quem desejar informações sobre o movimento na Universidade Federal Fluminense que paralisou todas as aulas de Jornalismo pode encontrá-las no sítio Parto de Idéias <http://sites.uol.com.br/partozero/>.

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