Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > OS MENINOS DO TRÁFICO

A censura do crime

Por lgarcia em 05/08/2003 na edição 236

OS MENINOS DO TRÁFICO

Alberto Dines

[Editorial do programa Observatório da Imprensa na TV, exibido em 5/8/03]

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa. Tudo indica que o narcotráfico ganhou uma
nova parada ao impedir a exibição do documentário Falcão, os meninos do tráfico no Fantástico do último domingo. A TV Globo atendeu aos realizadores do documentário que alegaram razões de "foro íntimo" para pedir o cancelamento da exibição.

Este Observatório respeita as duas partes. Tanto os realizadores quanto a rede comportaram-se de forma responsável e ofereceram à opinião pública as explicações que consideraram necessárias.

Isto não nos impede de concluir que, se o narcotráfico fez algum tipo de ameaça aos realizadores ou à rede, ele agora converteu-se em censor da mídia. Esta é uma opinião nossa. E esta opinião é reforçada pela decisão da Polícia Federal de abrir um inquérito a respeito do cancelamento do documentário.

Este inquérito é um procedimento rotineiro: cabe a Polícia Federal investigar tudo o que se refere ao tráfico de drogas e armas pesadas, mas o inquérito mandado instaurar pelo delegado Antonio Rayol, titular da delegacia de entorpecentes, também quer saber se houve ameaças de morte contra os realizadores do documentário. O delegado Rayol declarou ao repórter Guilherme Fiúza, do site no mínimo, que:


"…se esta hipótese [de ameaças] se confirmar, trata-se de um precedente gravíssimo. A liberdade de imprensa e o direito da sociedade à informação, características do Estado de Direito, estão ameaçados pelo narcotráfico".


O caso do documentário aconteceu dias depois do assassinato, em Bangu-3, do traficante Marcinho VP, protagonista do livro Abusado, de autoria do repórter Caco Barcellos. O traficante teria sido morto porque falou demais e apareceu demais. Isso os chefes do narcotráfico não querem.

A questão é grave e perigosa. Cônscio disto, este Observatório reafirma o seu respeito às decisões e procedimentos adotados por todos os envolvidos. Mas em respeito aos compromissos com você,  cidadão, não podemos deixar que este caso fique na esfera das suposições ou suspeitas.

Este é um caso policial mas corre o risco de transformar-se em caso político.

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